Danilo Pereira (Sport Lisboa e Benfica)
A Guiné-Bissau tem-se afirmado, nos últimos anos, como um viveiro de jovens talentos. Basta lembrarmo-nos de Yannick Djaló ou, mais recentemente, Lassana Camará para percebermos que a qualidade futebolística presente naquele país é claramente acima da média.
Com o revogar da lei que restringia o número de estrangeiros nos plantéis jovens, o ‘trânsito' de jogadores entre a Guiné e Portugal intensificou-se consideravelmente, tendo chegado a Portugal, nas últimas épocas, inúmeros jogadores oriundos daquele país. Infelizmente, as constantes suspeitas referentes à falsificação do BI dos jovens jogadores africanos têm feito com que as ‘importações' da Guiné e Angola sejam olhadas com desconfiança pelos adeptos do futebol de formação, o que acaba por ter efeitos prejudiciais sobre os próprios jogadores, muitos dos quais se vêem indevidamente associados a um dos grupos mais indesejáveis do nosso futebol.
Tal não foi o caso do jogador de quem hoje falamos. Apesar da constituição física considerável, Danilo Pereira tem conseguido ‘esquivar-se' a rótulos generalistas e construir uma carreira em curva ascendente, e de ‘escola' portuguesa, visto que o jovem habita no nosso país desde os sete anos.
De Mem Martins para o Estoril, e daí para o Seixal, este jovem de 17 anos integra hoje o plantel de juniores do Sport Lisboa e Benfica, pelo qual tem conseguido, aos poucos, acumular minutos. Para conhecer mais este jovem talento, fomos falar com a mãe, Quinta Djata.
De Mem Martins para o Mundo
Danilo Luís Hélio Pereira nasceu na Guiné-Bissau, mas cedo se mudou para o nosso país, onde iniciou a sua prática futebolística no ano de 1999. O primeiro clube que acolheu o jovem foi...o Arsenal. Mas não se espante, caro leitor, pois não se trata do colosso da Premiership inglesa; este Arsenal fica situado em Mem Martins, local de residência do jovem na altura, e é de dimensão bastante mais modesta. Quinta explica-nos como surgiu a vocação do filho.
"Ele sempre brincou com a bola. Eu reparei nisso desde os três anos", conta a nossa entrevistada. "Ele sempre recebeu prendas, mas a prenda de que ele mais gostava era a bola. E eu sempre lhe fui dando de presente bolas", explica. Assim, não foi de admirar que, quando a família chegou a Portugal, Danilo quisesse ingressar num clube de futebol. Quinta Djata relembra como foi. "Em 1999, quando vim aqui para Mem Martins, tinha um vizinho que também tinha um filho que andava no Arsenal. Ele e o Danilo estudavam juntos, eram da mesma escola, e foi através deste amigo que ele também foi para o Arsenal", desenvolve.
Para além de ‘aliciar' o jovem Danilo para o seu primeiro clube, o vizinho em causa também oferecia facilidades de deslocação para o pequeno guineense. "O pai dele veio falar comigo, para pedir para levar o Danilo, juntamente com o filho dele, para os treinos", explica Quinta Djata. "Eu não podia, porque o meu horário não o permitia, e vivo sozinha com ele e com os dois irmãos. Mas ele sempre disse que não se importava de o ir levar e trazer, porque somos vizinhos, moramos perto. E ele, quando levava o dele, levava sempre o Danilo", relembra a mãe do jogador. "E começou por aí".
Atleta completo
O pequeno Danilo tinha então apenas oito anos, e apesar do gosto pelo futebol, não se limitava a essa modalidade a sua prática desportiva. Segundo conta Quinta Djata, "passados alguns anos, ele começou também a destacar-se na escola, no atletismo, etc...". De facto, segundo a mãe do jovem jogador em causa, as primeiras conquistas desportivas do filho foram mesmo conseguidas sobre uma pista de sintético. "Ele ia às competições escolares, e também às regionais, aqui de Lisboa, e há quatro anos também foi a Budapeste", enumera a nossa entrevistada.
Estes feitos desportivos rapidamente começaram a render dividendos para o atleta. "Começaram a incentivá-lo na escola, a dar-lhe umas prendinhas, umas medalhas...", sorri a simpática enfermeira guineense. "Ele tem aqui muitas medalhas", conclui, acrescentando que o filho "é uma criança que gosta muito de desporto, sempre gostou de desporto".
Luz vermelha para o Benfica
No entanto, em meio a proezas conseguidas em outros desportos, o futebol não ficava esquecido. Antes pelo contrário: Danilo continuava a destacar-se, e começava a atrair as atenções de emblemas ligeiramente maiores que o Arsenal 72, entre eles aquele que actualmente representa. De facto, Quinta Djata confirma que "quando ele tinha doze anos, fui contactada pelo Benfica. Foram ver o jogo dele no Arsenal, e telefonou-me um senhor do Benfica, a dizer que gostava de levar o Danilo para lá", rememora.
Mas esta transição acabaria por não se dar. Como explica a mãe de Danilo, o Benfica "não tinha, naquela altura, uma academia. E ele perguntou-me como é que aquilo seria, porque eu não percebia. As condições que ele me tinha posto na altura não davam, porque ele era menor, e alguém tinha que o levar e que o ir buscar. E o horário dos treinos também não era compatível com o da escola. E eu aí disse que não, que não podia, porque da minha parte não tenho tempo de ir levá-lo e trazê-lo. E também, com doze anos, deixar a escola por causa do futebol é muito prematuro", considera Quinta Djata.
Por todas estas razões, a transferência para o Benfica acabou por ficar, na altura, inviabilizada. Danilo "ficou no Arsenal, a treinar", e só passado algum tempo é que encetaria, efectivamente, uma transferência. O clube escolhido ficava bem mais perto de casa - era o Estoril - e permitia ao jovem dar um passo mais moderado na sua promissora carreira.
Empresário atento
No Estoril, Danilo passou cinco épocas, continuando a destacar-se tanto no campo do futebol como no do atletismo, onde "ganhou, inclusivamente, uma medalha de ouro". Já no clube canarinho, o jovem guineense afirmava-se como um dos destaques da equipa, assegurando com categoria a posição de médio-centro.
Todos estes feitos não deixaram de atrair a atenção de um empresário, que imediatamente encetou conversações com a mãe do jogador a fim de o representar. "O ano passado, fui contactada por um empresário, um senhor que o quer representar", conta a enfermeira. "Depois, fui-me encontrar com o senhor, e ele fez-me uma proposta, dizendo que queria seguir o Danilo, dar-lhe suporte, porque ele tinha talento, etc. Conversámos, e eu ainda arranjei um advogado, para me ajudar a perceber aquelas coisas melhor. Entretanto, assinámos o contrato e ele levou-o para o Benfica", conclui a mãe do jogador.
Segundo ‘round'
E, assim, Danilo se via sob a alçada do seu primeiro empresário. E uma das primeiras medidas de Bruno Meireles em prol do seu novo ‘protegido' foi precisamente colocá-lo no clube que a mãe rejeitara, há alguns anos, mas que não perdera o interesse: o Benfica. Assim, no Verão passado, Danilo ingressava no clube encarnado, tornando-se residente do Caixa Futebol Campus.
Segundo Quinta Djata, estes primeiros meses de vida do filho no Centro de Estágio têm corrido bem. "Pelas informações que me deram, está-se a adaptar muito bem!", refere, acrescentando que, "de vez em quando, ele já vai treinar com os seniores". Mas, independentemente destes sucessos, a mãe do jogador regozija-se por este estar "a fazer uma coisa de que gosta". "Eu já lhe disse, basta que ele se esforce, porque ele gosta muito de futebol, desde menino", conclui a nossa entrevistada.
Quanto às condições do Seixal, a mãe do jogador afirma "gostar" das mesmas. "Antes de ele ir para lá, fui lá ver demonstrações, e vi tudo", recorda. "Depois de entrar para lá, não fui mais lá dentro. Mas acho que ele está bem, ele diz que está bem", conclui, mostrando que o bem-estar do filho é o aspecto que mais lhe interessa.
Reservado, estudioso e...esquecido
No entanto, um aspecto da personalidade de Danilo pode, segundo a mãe, vir a dificultar a integração deste no novo meio. "Ele é uma criança muito tímida", diz Quinta Djata. "Não faz grandes amigos logo ao princípio, é só aquela amizade ocasional. Pelo feitio dele, não tem muitos amigos. Mesmo aqui, em Mem Martins, ele só tem três ou quatro amigos. Não é uma criança que pense em muita companhia, muitos amigos...é muito reservado e sensível. No Benfica, ele dá-se bem com todos, mas se tem algum amigo especial, ainda não consegui perceber", elabora a mãe do jogador.
Efectivamente, fora dos campos, Danilo é um jovem simples, que "estuda, vai ter com os amigos, e não é muito de saídas. Quando não está com os quatro amigos que tem, não vai a mais sítio nenhum, fica aqui em casa, a jogar PlayStation, a ver televisão, ou a fazer qualquer coisa, no computador, na Internet, ou a fazer os trabalhos, a estudar...é um menino muito sossegado", diz-nos a mãe.
Em termos académicos, Danilo frequenta o décimo-primeiro ano, tendo repetido apenas um ano lectivo, o nono. A área pretendida é, claro, o desporto. "Ele diz que, mesmo que o futebol não dê, quer fazer o curso de Ciências do Desporto", refere a mãe do jogador.
No entanto, a mais invulgar característica de Danilo é ser "um bocadinho esquecido". A mãe detalha-nos um incidente recorrente, mas bastante curioso: "em todos os jogos em que ele ia jogar fora, no período de Inverno, eu parava no Centro Comercial para comprar um ‘kispo'! (risos) Ele leva o ‘kispo' e nunca traz! (risos) Todas as semanas em que vai jogar fora, nunca traz o ‘kispo' que levava, porque esquece-se sempre!", conclui, entre gargalhadas, a nossa interlocutora.
Um pacifista em campo
Quando toca a falar das características de Danilo em campo, Quinta Djata realça uma: o temperamento pacífico.
"Ele é muito pacífico, não é agressivo. Está no campo é a jogar à bola. Nem se defende quando os outros lhe batem, ou lhe fazem alguma coisa que ele podia fazer-lhes também. Ele não faz. Eu muitas vezes digo-lhe ‘Danilo, tu também tens que fazer isso em campo! Estás a ver, eles fazem-te isso e tu nem fazes o mesmo!?' E ele diz ‘ah não! Achas que eu também devia fazer aquilo que eles fazem!? Eu não posso fazer aquilo, no jogo! Não pode ser assim!' Eu acho isso mal. Até já propus no Benfica que eles falassem com ele, para lhe dizerem que ele fosse um bocadinho agressivo no futebol! Eu falo sempre disso com ele, mas ele nunca aceita. Diz-me sempre ‘ah não, não posso fazer aquilo que os outros me fazem'. Eu acho isso mal!", explana a mãe do jogador.
Para além desta característica do filho, que é quase uma ‘faca de dois gumes', Quinta considera que Danilo "joga muito bem". "Gosto de o ver a jogar. Tem uma técnica...quando está com a bola, gosto de o ver, porque ele vai mesmo jogar a bola, não vai às pessoas, aos outros. Faz bem os remates, marca bem os golos...", diz a nossa interlocutora. E acrescenta que, derivado da sua personalidade e talento, "no Estoril, adoravam-no! As pessoas no Estoril gostavam muito dele", conclui.
Fica assim apresentado mais um dos jovens a chegar anualmente ao Benfica. Embora ‘escondido' pelo burburinho em torno das contratações de Hélio Vaz e Coelho, Danilo Pereira quer mostrar que também tem uma palavra a dizer. Tem agora, dois anos para o fazer...
Nome: Danilo Luís Hélio Pereira.
Data de nascimento: 09/09/1991 (17 anos).
Altura: 1,86m.
Peso: 60kg.
Posição: Médio-centro.
Clube: Sport Lisboa e Benfica.
Texto: Pedro Benoliel.
Imagem: Academia de Talentos.
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Comentários
PORTUGAL PARA PORTUGUESES
NÃO ACHAS QUE JÁ HÁ PRETOS QUE CHEGUE NO FUTEBOL PORTUGÛES!ELE QUE VAI PARA GUINÉ
Um orgulho
Tive o enorme prazer de ser colega de turma desta estrelinha!!!
Sempre acreditei que ele iria ter sucesso no desporto!!!
És o melhor, Danilo! 9ºG para sempre nos nossos coraçoes!!!
Felicidades!!!
Beijinho, Sandra :)
mt bom jugador esxelente
mt bom jugador esxelente
È sem sombras de dúvidas
È sem sombras de dúvidas um dos melhores e se não for o melhor médio defensivo do campeonato nacional de juniores!
De certeza absoluta que vai dar muitas alegrias ao S.L.B.
È um jogador completo!
Felecidades Danilo, tens tudo para chegar á equipa principal.
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