Eduardo Júnior (Futebol Clube do Porto) (Parte 1)

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Sex, 26.09.2008

Há já várias décadas que o Brasil é berço de alguns dos mais excitantes talentos mundiais. Algo, ainda hoje inexplicável, faz com que o talento daquele povo para o futebol seja quase tão grande quanto a sua paixão pelo mesmo. No entanto, a profusão de jogadores talentosos a aparecer por aquelas paragens rapidamente gerou uma situação de saturação, com o número de jovens talentos a exceder largamente o número de clubes com alguma visibilidade do campeonato local. Assim, a maioria destes jogadores viu-se forçada a alinhar em clubes de divisões inferiores, onde o seu talento passava despercebido devido à nula visibilidade de que dispunham.

Nesse aspecto, Eduardo Júnior teve sorte. O jovem extremo do FC Porto seguia o mesmo caminho de muitos outros jovens seus conterrâneos, mas a emigração da família para Portugal permitiu-lhe encontrar um palco adequado para a demonstração do seu talento. A ADT contactou Eduardo Corrêa da Silva, pai do jovem jogador, para saber detalhes sobre a sua carreira.

De pequenino...

Nascido a 26 de Fevereiro de 1994, Eduardo Corrêa da Silva Júnior desde cedo revelou um enorme talento para o futebol. O pai conta que, aos seis anos, o levou a uma captação no modesto Grêmio Londrinense, clube da cidade onde habitavam, no Paraná, nordeste brasileiro. "Levei-o para fazer um teste no clube onde eu também jogava. Era o mais ‘miudinho' da turma, mas já se destacava pela habilidade", conta Eduardo sénior.

Os treinadores ficaram imediatamente encantados com aquele menino franzino, mas muito habilidoso, e Edu Júnior integra a equipa de futsal do clube. Ali fica alguns anos, fazendo naturalmente a transição de futsal para futebol de campo e, posteriormente, para futebol de onze. No entanto, neste particular, o seu percurso não vinha sendo especialmente distinto. Segundo Eduardo Corrêa, "ele apenas representou três clubes de bairro" antes de ingressar no Grêmio dos Operários, um clube de ligeiramente maiores dimensões. Ali, jogou a sua primeira temporada competitiva, disputando o campeonato paranaense da sua categoria.

No entanto, Edu Júnior talvez nunca tivesse sido uma jovem promessa se, quando contava dez anos, a família não se tivesse mudado para Portugal. Uma decisão que, segundo conta Eduardo sénior, "não teve nada a ver com ele". "Nós viemos para mudar de vida, porque eu tinha cá uma irmã. Nunca imaginamos que o Eduardo pudesse dar no que deu", explica o pai do jogador. E conta o vaticínio que os treinadores de Eduardo fizeram quando souberam da viagem. "Os treinadores dele já previam. Quando souberam que íamos para Portugal, disseram ‘vocês vão, mas já não voltam'. E acho que tinham razão", considera, confessando que "hoje, uma das razões para não voltarmos é ele, é a carreira dele".

Da Pontinha ao Porto, com escala na Luz

Uma vez chegados a Portugal, Eduardo Corrêa e a família instalaram-se na zona da Pontinha, onde procuraram começar uma nova e melhor vida. Quanto a Júnior, imediatamente começou a procurar um clube onde pudesse retomar a prática da actividade que mais lhe agradava.

O eleito foi, nessa época, o Silveirense, onde o jovem de dez anos ingressou na equipa de futsal. No entanto, uma contrariedade acabou por arruinar a época de Eduardo, levando a que passasse apenas uma época no clube do Casal da Silveira. "Nós, na altura, éramos ilegais, ainda não tínhamos a documentação", explica Eduardo Corrêa sénior. "por isso, o Eduardo não conseguiu jogar nem disputar o campeonato".

No final da época, e já com a situação dos pais legalizada, o jovem deixa o Silveirense e ingressa no Clube Atlético e Cultural da Pontinha, casa do afamado Torneio Internacional da Pontinha de Futebol Infantil. Este torneio, que já revelou nomes como Antoninho Silva, viria no entanto a ser apenas um ponto menor na carreira de Edu Júnior, já que, como explica o pai, o jogador já tinha atraído atenções bastante mais cedo. "No Torneio da Pontinha, ele destacou-se bastante, mas antes já tinha ido fazer testes ao Futebol Clube do Porto", explica Eduardo Corrêa. "Já tínhamos tudo acertado para, no final da temporada, ele ir para o FC Porto. Estava só a acabar a época no CAC Pontinha", desenvolve.

Segundo o progenitor do jovem atacante, o interesse do Futebol Clube do Porto no talentoso jogador tinha surgido de forma quase fortuita. "Houve um massagista do CAC Pontinha, de nome Cândido, que veio ter comigo e pediu para eu levar o Eduardo ao Futebol Clube do Porto, porque ele tinha lá contactos", lembra Corrêa. "Na altura, ele até nos arranjou boleia para ir lá, com um antigo jogador ou algo assim", acrescenta.

Chegado ao Olival, Eduardo Júnior só precisou de "um dia de teste" para deslumbrar os responsáveis e levar a que estes acertassem termos com os pais. "Eles perguntaram-nos logo como queríamos fazer, se ele ficaria a viver em Lisboa ou se iria para o Porto. E foi decisão do Eduardo ficar no Porto, preferiu ir para lá".

No entanto, antes que o jovem pudesse efectivar a mudança com que já sonhava e para a qual canalizava todos os seus pensamentos, surgiu ainda novo desenvolvimento na sua história clubística. "O Benfica tinha um protocolo com o CAC para ceder jogadores", explica Eduardo sénior. "Em que, para o CAC ceder o Eduardo, eles davam alguns jogadores que não estavam a ser aproveitados lá [na Luz]." Nesse contexto, Edu chegou a ir duas vezes à Luz, para treinos, apesar de não ser essa a sua vontade. "Ele não queria ir, mas eu convenci-o, disse-lhe que fosse lá, que podia ser que gostasse", relembra o pai do jovem extremo. "Mas ele queria mesmo ir para o Porto, e achei melhor respeitar a opinião dele", conclui.

"Benfica e Sporting chegaram tarde!"

Foi assim que, aos doze anos, Eduardo Júnior se viu subitamente no maior clube da sua carreira até então. Residente a tempo inteiro da Casa do Dragão, e treinando no Centro de Estágio do Olival, o jovem tornou-se mais um dos muitos ‘filhos do Dragão' que, anualmente, representam os mais diversos escalões da formação do clube.

De referir que esta transferência não passou despercebida aos outros "tubarões" do futebol português. Para além do Benfica, também a principal "fábrica de talentos" nacional, a Academia de Alcochete, demonstrou interesse no jovem brasileiro. No entanto, as tentativas dos leões já foram perfeitamente em vão; quando o Sporting contactou Eduardo Corrêa sénior, já o filho tinha tudo acordado e se tinha mudado para o Porto.

"Os meus amigos perguntam-me muitas vezes: ‘porquê o Porto? Porque não o Sporting ou o Benfica?' A resposta é: porque chegaram tarde!", ri o patriarca da família. "Quando chegámos aqui, vindos do Brasil, onde o clube da nossa terra disputava a III Divisão, ter um convite desses, para treinar num clube campeão da Europa, campeão português...qualquer dos três que tivesse chegado teria tido o Eduardo!", considera. "O Porto viu isso e levou-o logo. O Benfica já chegou um pouco atrasado, e o Sporting ainda mais!", conclui, com uma gargalhada. E foi assim que o clube de Pinto da Costa conseguiu mais esta "jóia" para a sua formação.

No entanto, e apesar da forma fortuita como Eduardo acabou por rumar a Norte, o seu pai considera que a opção feita foi a melhor. "As condições no Porto são excelentes!", enfatiza. "Ele tem alimentação adequada, um bom quarto, escola no Centro de Estágio..." Mas o que mais impressionou Eduardo foi a política do Dragão para com a segurança dos seus jovens: "eles não deixam o Eduardo sair da Casa sem autorização minha. Telefonam sempre a perguntar se ele pode ‘pousar' em casa de um amigo, ou ir passear a um centro comercial", refere. Para além disso, quando as saudades apertam, o próprio clube paga as viagens do casal ao Norte ou do jovem Eduardo a Lisboa. Em suma, "até hoje, não temos nada a criticar ao clube. Acho que acertámos. Ele está em boas mãos".

Ainda assim, e como pai interessado, Eduardo faz questão de seguir de perto e apoiar a carreira do filho. Para além de estar presente na maioria dos jogos de Júnior, não há viagem sua ao Norte que não termine à porta da Casa do Dragão. "No meu trabalho, viajo muito", explica, "e sempre que vou ao Norte, passo por lá para saber como ele está." E são mais que diversas as fontes que usa para obter informação. "Falo com toda a gente, com a cozinheira, o psicólogo, o guarda que está lá a tomar conta...", diz, rindo.


Texto: Pedro Benoliel.
Imagem: Academia de Talentos.

Comentários

O Edu é um jogador muito

O Edu é um jogador muito talentoso. Desejo-lhe as melhores felicidades.

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