Fábio Pereira (Sporting de Braga)
Como se sente uma equipa que, após conquistar um campeonato, vê 3/4 do seu plantel ser dispensado? Perguntem à equipa de Juvenis A do Benfica, que após conquistar o campeonato da sua categoria na época transacta, vê agora muitos jogadores serem postos na lista de dispensas ou rescindirem contrato para poderem seguir para outras paragens. Esta situação tem causado indignação não só entre muitos dos atletas daquele escalão do clube, mas também entre a massa adepta, que cada vez mais se expressa contra a contratação de estrangeiros para os escalões de base.
O nosso entrevistado de hoje fez parte dessa equipa. Chama-se Fábio Pereira, tem 17 anos, e foi, na última época, o jogador mais utilizado dos Juvenis A do Benfica: titular em 33 jogos, as suas credenciais ficaram ainda firmadas pelas críticas unanimemente positivas que recebeu, quer da imprensa especializada quer dos exigentes adeptos encarnados.
Fábio Pereira nasceu a 21 de Abril de 1991, em Barcelos, onde ainda hoje reside com a família. A sua paixão pelo futebol foi precoce. Segundo explica o pai, Paulo Pereira, "íamos às compras, ao hipermercado, e ele só pedia bolas, só via bolas. Tinha dois anos, e já só via bolas. Quando foi para a escola, dizia que tinha que ir para a baliza, porque os outros deixavam entrar golos", acrescenta o pai do jogador. Mais tarde, Paulo começou a ser insistentemente assediado pelo filho, no sentido de ir para o Gil Vicente, principal clube da sua cidade. "Ele andava-me sempre a ‘chatear' para ir para o Gil Vicente", conta Paulo Pereira. "Fui adiando um ano, e depois outro, e outro, e ele acabou por entrar no Gil Vicente quando tinha oito anos". Estávamos em Setembro de 1999.
Em Maio do ano seguinte, pouco depois de completar nove anos, o jovem Fábio participa no seu primeiro torneio, lançando assim efectivamente a sua carreira. Esta desenvolve-se maioritariamente no Gil Vicente, até que, em 2006, as qualidades do jogador captam a atenção do Benfica.
"Foi o Benfica que o veio buscar ao Gil Vicente", diz Paulo Pereira, com uma pontinha de orgulho, "e já com contrato! Ele não foi às captações", acrescenta.
Assim, em 2006, Fábio assinava pelo seu clube do coração, o Benfica. Inicialmente, integrou o plantel da equipa de Juvenis A, mas pela sua pouca idade, foi rapidamente transferido, ainda essa época, para os Juvenis B. Por esta equipa, realizou apenas oito jogos, um pálido reflexo daquilo que viria a ser a sua época seguinte.
De facto, 2007/2008 foi o ano da afirmação para Fábio Pereira. Titular dos Juvenis A, realizou os referidos 33 jogos e demonstrou considerável potencial e valor. No entanto, chegado o final desta época, viu-se na lista de dispensas, juntamente com mais de 20 dos seus colegas de equipa. O seu destino não era tão mau como o dos restantes atletas - Fábio iria ser emprestado, e não dispensado. No entanto, o jogador não estava pelos ajustes e, juntamente com outros atletas, como André Campos, decidiu desvincular-se do Benfica.
No entanto, conforme refere o pai do jogador, Fábio "não saiu por livre e espontânea vontade dele". "O Benfica queria dispensá-lo, a ele e ao André Campos, que também vai para o Braga", explica Paulo Pereira "eles não queriam ser emprestados, e decidiram cancelar o contrato com o Benfica". O destino de ambos eram os arsenalistas nortenhos, onde foram recentemente confirmados de forma oficial.
Para Paulo Pereira, esta foi uma mudança inesperada. Por um lado, o filho "está mais perto de casa e da família, e vai passar mais tempo com a mãe e com o irmão. Mas é complicado, porque ninguém estava a contar com isto, com esta mudança. Especialmente ele", conclui o chefe da família Pereira. O pai do jovem revela-se ainda incrédulo em relação à decisão tomada pelo Benfica. "Eu acompanhava-o sempre, ia aos jogos dele, e as informações que tinha eram sempre do bom e do melhor", refere Paulo Pereira. "Ele jogou, durante a época, todos os jogos, só não jogou 40 minutos, e não estava nada à espera que saísse de um clube como o Benfica. Até por eu ser benfiquista!" conclui, descoroçoado.
No entanto, para o bem ou para o mal, o certo é que se abre aqui um novo capítulo para Fábio Pereira. O Braga não é propriamente um clube pequeno, e ao mesmo tempo propicia mais oportunidades de chegar à equipa sénior do que o sobrelotado Benfica. Para além disso, a proximidade de casa pode ser benéfica ao jogador, ajudando-o a encontrar uma estabilidade familiar que certamente não possuiria no Caixa Futebol Campus do Seixal. Veremos, portanto, o que o futuro reserva a Fábio Pereira, mais um "injustiçado" das camadas jovens de um grande clube.
Nome: Fábio Miguel da Costa Pereira.
Data de Nascimento: 21 de Abril de 1991 (17 anos).
Posição: Guarda-Redes.
Clube: Sporting de Braga.
Texto: Pedro Benoliel.
Imagem: Academia de Talentos.
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