Filipe Barros (F.C. Porto)
Para muitas pessoas, um dos actuais problemas que Carlos Queiroz tem de resolver na Selecção Nacional é encontrar um avançado matador. Hugo Almeida, Hélder Postiga e Nuno Gomes não são jogadores cuja principal característica é a finalização. A herança que Pauleta deixou, goste-se ou não do ponta-de-lança açoriano, é difícil de ser esquecida. Até porque, recorde-se, o ex-avançado do PSG ultrapassou Eusébio na lista dos melhores marcadores de sempre na selecção, com 47 golos (o "pantera negra" marcou 41).
Mas há uma nova geração de goleadores a ser "construída" e trabalhada. Os resultados podem, por isso aparecer dentro de alguns anos. Serve esta introdução para apresentar Filipe Daniel Mendes Barros, um jovem avançado de 16 anos (feitos em Abril deste ano) que joga no F.C. Porto. O bom desempenho ao serviço dos dragões resultou na chamada às Selecções Nacionais sub-16 (no ano passado) e sub-17, já este ano. Filipe Barros foi mesmo o marcador do golo da vitória de Portugal contra a Guiné-Bissau, na final dos VI Jogos da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, que se realizaram no Brasil no passado mês de Julho. Final essa que se jogou no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.
Depois, em Agosto, o avançado do F.C. Porto voltou a dar nas vistas. Desta vez, Filipe Barros ajudou a selecção a sagrar-se campeã do Troféu Internacional da Inglaterra. Três jogos, três vitórias. Na bagagem de regresso a Portugal, o jovem portista trouxe o troféu de melhor marcador, com três golos apontados.
Como tudo começou...
A aventura de Filipe Barros no mundo do futebol começou aos oito anos. O Clube de Futebol Cristelo, localizado precisamente na freguesia de Cristelo, concelho de Paredes, foi o primeiro clube do agora internacional jovem português. "Ele começou a jogar no ano de 1999. Fez duas épocas, 1999/2000 e 2001/2002 nas escolinhas do Futebol Clube Cristelo", revela o pai de Filipe Barros, Francisco Ferreira, ao Academia de Talentos (ADT). Antes de jogar futebol, o jovem avançado praticou natação. "Ele esteve na natação antes de jogar no Cristelo, mas assim que começou a jogar futebol deixou por completo a natação", acrescenta.
Com dez anos apenas, surge um segundo desafio na precoce carreira de Filipe Barros. Desafio esse chamado F.C. Porto. "Ele chegou a ir treinar ao Boavista antes de ir para o F.C. Porto porque houve um olheiro que o viu a jogar, mas, também porque era a vontade dele, eu levei-o às captações do F.C. Porto e ele acabou por ficar. Já está lá há sete épocas: fez o primeiro de escolas, dois de infantis, dois de iniciados e agora está no segundo ano de juvenil", explica Francisco Ferreira. E será que o F.C. Porto é o clube do coração de Filipe Barros? "Sim, ele é portista. Aliás, toda a família é", responde o pai do jogador.
As boas exibições nos dragões não passaram despercebidas e a convocatória para a Selecção Nacional surge quase como consequência do trabalho feito com a camisola azul-e-branca. "Têm-me dito sempre o melhor dele no F.C. Porto. Na época passada, embora sendo juvenil de primeiro ano, jogou sempre com a equipa formada por jogadores de segundo ano. E quando era iniciado também acontecia o mesmo. Esta temporada já jogou pelos juniores, num jogo frente ao Boavista, e na última temporada acho que também fez quatro jogos pelos juniores. Por agora está a correr tudo bem. Ele também já esteve no Brasil e em Inglaterra com a selecção", explica o encarregado de educação de Filipe Barros.
Afirmação no F.C Porto
Durante as sete épocas que leva de dragão ao peito, Filipe Barros tem correspondido às expectativas. O pai do jovem jogador, apesar de reconhecer que é suspeito por estar a falar sobre o filho, desfaz-se em elogios. "Ele tem sido sempre avançado, nunca jogou noutra posição. Não sei dizer quantos golos é que já marcou, mas lembro-me que houve uma época em que chegou a fazer mais de trinta. No F.C. Porto ele joga muitas vezes a titular, mas no ano passado, por exemplo, chegou a ficar sentado no banco de suplentes", refere Francisco Ferreira, acrescentando que esta temporada o filho "é um dos três capitães de equipa".
Na escola, Filipe Barros também tem mostrado ser um aluno esforçado e trabalhador. "Está no 11º ano e nunca reprovou. Normalmente as notas dele rondam os onze, doze. Está no agrupamento um, ciências e tecnologia", adianta o pai do avançado. E será que o internacional português tem outra paixão? "O futebol é mesmo a sua grande paixão. Ele escolheu esta área porque assim pode precisamente continuar ligado ao desporto, como por exemplo seguir educação física. Este ano, ele queria deixar de estudar e tirar um curso que muitos jovens jogadores do F.C. Porto estão a tirar, penso que é de gestão desportiva, mas como nunca chumbou e até tem tido notas razoáveis não o aconselharam nesse sentido", explica o encarregado de educação.
Apesar de o filho nunca ter reprovado de ano, Francisco Ferreira reconhece que é cada vez mais complicado conciliar a escola com o futebol. Pelo meio, Filipe Barros fica sem tempo para fazer outras coisas: "Esse é o único problema que penso existir. É bom por um lado no futebol ter sucesso, porque joga no F.C. Porto e é chamado às selecções nacionais jovens, mas o tempo que tem começa a ser pouco". Por falar em tempo, como é que o Filipe vai para os treinos, já que a família Barros vive em Paredes? "Nós moramos mais ou menos a 30 quilómetros do Porto. Ele vai de comboio todos os dias, já que também estuda lá (no ano passado estava no Externato D. Dinis e este ano está na escola secundária António Nobre), e depois regressa a casa", esclarece o pai.
Entrega total ao F.C. Porto
Neste momento, Filipe Barros "está muito contente no F.C. Porto". Francisco Ferreira revela que o filho "não tem qualquer empresário" e diz que, "sinceramente", não tem "conhecimento de que haja equipas interessadas" em contratar o avançado português. "Ele tem contrato de formação com o F.C. Porto, que termina no final da época, e não esta muito receptivo a mudar de clube. Ele no F.C. Porto tem muito boas condições para continuar a jogar", aponta.
Quando questionado sobre se sabia alguma história curiosa que o filho tivesse tido no F.C. Porto, Francisco Ferreira sorri e diz que provavelmente deve ter havido algumas na época passada, porque os juvenis "treinavam no centro de treinos e formação desportiva Olival-Crestuma (esta temporada treinam no campo da Constituição)". "Há sempre aquelas histórias em que eles se cruzam com os jogadores da equipa principal, lembro-me dele falar do Lucho González e do Quaresma, por exemplo", frisa.
Profissional dedicado e uma pessoa humilde
Afinal quem é Filipe Barros? A ADT quis saber um pouco mais sobre o jovem avançado do F.C. Porto e questionou Francisco Ferreira nesse sentido. A resposta é clara: "Como pessoa é muito sossegado. Não costuma ir para discotecas e é muito caseiro, pelo menos para já, por isso passa muitas tardes em casa em frente ao computador. Às vezes vai comigo e com o meu irmão ver os jogos do F.C. Porto. É uma pessoa que é amigo do seu amigo."
Dentro das quatro linhas, e como profundo conhecedor das qualidades e defeitos do filho, Francisco Ferreira também tem a sua opinião. "É um atleta profissional a cem por cento. Acho que as principais características dele são a rapidez, a inteligência e o facto de ser oportuno. Apesar de ser um jogador pequeno (1,65 metros), até consegue marcar alguns golos de cabeça, porque consegue antecipar-se aos adversários e tem bom poder de elevação", conclui o pai de Filipe Barros.
Nome: Filipe Daniel Mendes Barros.
Clube: Futebol Clube do Porto.
Posição: Avançado.
Data de nascimento: 17-04-1992 (16 anos).
Nacionalidade: Portuguesa.
Altura: 1,65 metros.
Peso: 60 kg.
Texto: Frederico Gerardo.
Imagem: Academia de Talentos.
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