Entrevista com Carlos Queiroz

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Dom, 29.03.2009

O seleccionador nacional Carlos Queiroz recebeu a Academia de Talentos na sua escola na Outurela e explicou as razões pelas quais é considerado um estudioso do futebol e comentou também as medidas que tomou quando assumiu a direcção das selecções nacionais e que valeram dois títulos mundiais para Portugal.



Actualmente temos uma vaga de treinadores que também são formados em Educação Física mas o Professor quando apareceu há 25 anos foi dos primeiros. O que mudou deste então?

Eu acho que, relativamente à minha formação, já é a grande mudança da escola de treino em Portugal. Existiam antes da minha formação professores de Educação Física ligados ao futebol. Era uma licenciatura que estava ligada à escola de formação de educadores físicos e que depois teria algumas vocações a que as pessoas se dedicavam individualmente. Porém, essa escola não é do meu tempo. Pertenço ao Instituto Superior de Educação Física (ISEF) da Universidade Técnica (de Lisboa) onde foi delineada e concebida a primeira formação específica em treino de alta competição, com as diferentes especialidades. Fiz uma licenciatura em Futebol, cinco anos de futebol e rigorosamente mais nada. Referem-se normalmente a mim como Professor, usando uma linguagem comum, porque existe uma confusão de conceitos e de formação que tem a ver mais a tradição do que com a especialidade e a especificação em que fui envolvido.

Penso que o que mudou nessa altura foi exactamente todo o conceito de formação em alta competição através das universidades, um caminho que se abriu, um caminho que procurou privilegiar também os atletas de cada uma das modalidades. Por exemplo, a Universidade Técnica definia como valores básicos para se entrar na opção de futebol a parte académica e também o nível de prática, o nível que os ex-praticantes tinham quando iam para essa modalidade. E assim, vejo uma série de colegas fantásticos que tiveram resultados extraordinários em outras áreas, como voleibol, basquetebol, todo um conjunto de colegas que fizeram essa formação específica e cada um, desde o primeiro ano da universidade escolheu a sua via e depois do segundo ano, em que tínhamos muitas cadeiras em comum, separámo-nos na nossa formação até à vida profissional.

Como surgiu a oportunidade de se juntar à equipa técnica no Estoril?

É uma história engraçada. Comecei no futebol, na área de formação de jogadores sozinho e depois surgiu a oportunidade de trabalhar com o Capitão (n.d.r.: Mário Wilson) na área do futebol profissional, uma oportunidade que foi fantástica e que até hoje lhe agradeço imenso, a ele e ao José Augusto. A nossa participação no projecto de formação de treinadores através do Departamento de Formação da FPF e da ligação que havia com a formação do ISEF já conhecia muitos desses treinadores mas tive a oportunidade de os conhecer na prática, dando aulas, dando cursos de treinadores, fazendo teóricas e práticas, uma das grandes personalidades do treino. Daí o convite do Capitão para me juntar a ele no comando do Estoril e que curiosamente nessa altura também me convidou para ir para o Boavista quando ele saiu do Estoril mas a vida às vezes tem coisas que decidem o nosso futuro e eu, por razões privadas da minha vida particular, não me pude ausentar de Lisboa.

Essas acções de formação de treinadores, abriram também a oportunidade de se juntar aos quadros da Federação Portuguesa de Futebol?

Portanto, tive oportunidade de aproximar relação com o Mário Wilson, com o José Augusto, por exemplo, ao ser colega e participando com eles na formação de treinadores em Portugal.

E daí também os convites que eles me fizeram, para além de pessoas privadas e amigos que sempre se apresentam e sempre testemunham do carácter e da personalidade das pessoas e que foram fundamentais nessa altura também. Mas foi assim, foi através da intervenção pessoal e, sobretudo, dessa colaboração a nível da formação de treinadores que aproximámos conceitos, aproximámos ideias e estabelecemos plataformas de confiança, Entretanto surgiu também o convite do José Augusto. O Jesualdo Ferreira, que já tinha trabalhado na FPF, foi também importante, como o Manuel Moura, o dirigente César Grácio que me abriram as portas da FPF, o Mirandela Costa, foram todos decisivos para a minha entrada na FPF. Na altura nunca imaginei que fosse lá ficar 12 anos.

O Mister é considerado um estudioso do futebol e toda a sua formação académica também foi na área do futebol. De que forma procurou desenvolver os seus conhecimentos em torno do futebol para depois aplicar no futebol nacional?

Eu acho que foi de falar pouco, de ouvir muito e de ver muito. Não prometer muito e no final entregar mais do que se promete, ao jeito de um bom princípio de marketing que diz, "promise of a delivery." Naquela altura a minha formação e o contacto com essas pessoas foi decisivo, pessoas como o Zé Moniz, o Jesualdo Ferreira, grandes homens dedicados à formação e ouvi muito deles e das suas preocupações. Fui sempre uma pessoa inquieta e curioso em relação a várias coisas. Tentei estudar os padrões de formação da escola anglo-saxónica, os padrões de formação da escola latina, as origens e os conceitos que estavam na base, raiz do pensamento dos treinadores latinos, anglo-saxónicos, do centro da Europa, como é que os treinadores pensavam e viam o jogo e depois como é que transmitiam o jogo às crianças.

Nos primeiros tempos da Selecção, e ainda antes, a malta ia para férias e não tinha grandes possibilidades, ir para os estágios com a barraca às costas ver a pré-época do Barcelona, do Real Madrid, ia para Santa Maria de Lousanne em Espanha, um dos primeiros centros de treinos existentes em Espanha, e quando fui para a Selecção achei que era importante para um treinador da Selecção, de cada vez que jogávamos contra a França ou a Alemanha ou a Itália, não me limitava a olhar para os jogos, fazia perguntas, falava com os treinadores.

E era fácil contactar com outros técnicos?

Sempre tive alguma facilidade em comunicar com as pessoas, por questões ligadas à minha vida, e falava com os treinadores e perguntava-lhes, "Como é que vocês fazem, como é que não fazem, como está organizada a Federação..." Muitas vezes fui com a Selecção jogar a vários sítios e eu ficava mais um ou dois dias para pesquisar e depois foi um raciocínio que construí de adaptar as tendências e os conhecimentos e as aprendizagens que fui adquirindo à realidade do futebol em Portugal, procurando preservar as coisas boas e tentando minimizar as coisas menos boas.

Carlos Queiroz - Entrevista de Academia de Talentos

Quais foram as primeiras medidas ou alterações que tentou implementar assim que se tornou responsável das nossas camadas jovens e que, posteriormente, acabaram por trazer os resultados que são do conhecimento de todos?

Um dos conceitos, o conceito de formação do jogador profissional de futebol, foi a primeira coisa que percebi que estava errada. Tínhamos jogadores profissionais sem formação profissional, que é algo que é impensável. Por exemplo, não há Engenheiros sem formação profissional em Engenharia. Veja-se o que aconteceu no ensino técnico em Portugal, quando se acabou a formação no ensino técnico, a sociedade acabou por sofrer com isso. Portanto, Portugal tinha jogadores de futebol profissionais mas não admitia o conceito de formação em futebol, não estava alicerçado. Isto foi uma das primeiras coisas, por exemplo, pensar que a preparação tinha de ser melhor. Se tínhamos bons jogadores mas não tínhamos o potencial que o Brasil tem ou que a Espanha tem, devíamos ter uma preparação pelo menos 4 vezes melhor que eles. Tínhamos de compensar em preparação aquilo que não tínhamos em potencial numérico.

Eu nunca repousei, nunca descansei, fui sempre exigir mais e melhor, mais e melhor inovação a nível da preparação técnica, da preparação táctica, das tendências do jogo, dos critérios de selecção, alteração dos quadros competitivos do futebol júnior. Há muitas coisas que continuamos a falar hoje mas eu comparo sempre o futebol às plantas: precisamos de boas sementes. Só que há partes da preparação, do desenvolvimento da planta, que não vende jornais, que não é o que dá mais glória às pessoas, não é o que as traz as pessoas para as primeiras páginas e para as fotografias. E acho que isso é uma forma de pensar que não é boa para o futebol, a do "Os outros que façam, eu não tenho tempo, não me apetece..." Então, a nossa obrigação como treinadores, e sobretudo os técnicos que estão na Selecção, é trabalhar um pouco nessas componentes mas eu quero cada vez mais concentrar-me naquilo que está nas quatro linhas de jogo, mais nada. Mas por exemplo, vou dar-lhe um exemplo de medidas que tomei: alteração dos campeonatos nacionais de juniores, de juvenis e de iniciados, os torneios inter-associações, as medidas que tomei nos critérios de selecção de talentos, o desenvolvimento distrital com a estruturação de selecções distritais de 13 anos, de 15 anos, o número de estágios da Selecção, as condições de treino, o aumento do número de dias de preparação de jogos das Selecções Nacionais, uma coisa de cada fez o "cesto" que permitiu o sucesso.

Como conseguiu então dar início àquela que é agora chamada Geração de Ouro?

Quer que lhe diga a verdade e a brincar? Acho que conseguimos primeiro porque tinha pessoas fantásticas a colaborar comigo.

O Nelo Vingada...

O Nelo veio um pouco mais tarde. A princípio estava quase sozinho, estava com o Zé, falava com ele e íamos fazendo coisas e depois o Zé foi-se embora e houve um hiato antes do Nelo entrar. O staff foi uma coisa importante, toda a equipa técnica. Mas eu acho que neste país às vezes é mais fácil fazer coisas quando os outros andam distraídos. Nós ao princípio andávamos a fazer isto mas como era uma coisa de miúdos, de gente menor, para menores, às vezes como andávamos vestidos como se fossemos escuteiros, não éramos levados a sério. Não há nenhum projecto nem nenhum programa que seja perfeito à partida e se estivermos à espera da perfeição, ninguém faz nada. E certamente, muitas das coisas que fizemos não eram certas, mas não houve aquela pressão, aquele sentido de destruição ao princípio. Foi mais fácil porque tivemos a oportunidade de errar e de reconstruir e de re-experimentar e de experimentar outras soluções.

Mas encontrou alguns entraves bem como oportunidades. Falo do caso do Vítor Baía não ter podido participar no Mundial. Por outro lado, teve a oportunidade de colocar o João Pinto num lote de jogadores mais velhos do que ele...

Mas isso não foi um problema para nós. Quando fomos para Ríade, já tínhamos ganho parte desse Mundial ao sabermos que um dos nossos jogadores, com 19 anos de idade passou a ser titular do Futebol Clube do Porto, que tinha as responsabilidades que tinha na Liga dos Campeões Europeus, para mim isso já foi um título mundial. É o meu título e são os títulos que não vêm para a primeira página dos jornais mas que contam para nós. Porque a vida de um treinador quando passa 12 anos na Selecção não é andar a discutir títulos de Campeonato Nacional, não é? Em 12 anos a trabalhar num projecto destes, não se pode estar a discutir Taças de Portugal nem Campeonatos Nacionais, mas esses títulos, essas qualificações e esse jogadores todos que singraram, são todos esses os meus títulos e esses ninguém me vai tirar.

Já agora, uma palavra em relação à presença e ao desempenho do João Pinto nesse Mundial (1989) enquanto jogador.

Foi na base daquilo que eram os critérios da selecção de talentos, em que eu defini um conceito de um grupo de elite de jogadores que tinham de beneficiar de uma programação e de um plano especial. E portanto, eu entendi, e entendo até hoje, que as selecções são para isso mesmo, que os melhores jogadores têm de jogar o máximo de vezes possível, o melhor possível, nessa fase da sua carreira. Portanto, como ele era o melhor, sem dúvida nenhuma tinha de ter lugar nessa Selecção para jogar mais um conjunto de jogos. E a verdade é que jogando esses jogos e tendo o brilho que ele teve, aos 18 anos estava a jogar na Primeira Divisão e aos 18 anos estava a ir para um dos maiores clubes (Atlético de Madrid) da Europa, que é onde os melhores talentos têm de estar o mais cedo possível. O contrário é que está errado e por isso é que fazer isso não é um feito, fazer isso não é sequer uma coisa que deve ser elogiada pelos outros. Fazer o contrário é que deve ser criticável. Retardar a evolução de um jogador é algo que não tem sentido.

Carlos Queiroz - Entrevista de Academia de Talentos

No Mundial seguinte já estava a jogar em casa, estavam a defender o título, se calhar as coisas mudaram um pouco de prisma.

Quando recebemos a Taça de Campeões do Mundo foi uma taça que significava ganhar aos outros, foi um título mas o verdadeiro sentido de ganhar um Campeonato do Mundo só o tivemos quando chegámos a Lisboa. Quando em 1991, e nessa altura convém indicar que ninguém acreditava que Portugal pudesse chegar ali, ganhar esse título já era quase uma expectativa, uma espécie de obrigação, que todas as pessoas tinham. E portanto foi diferente, mas também, o Mundial foi em Portugal, as empresas estavam em Portugal, os estádios eram em Portugal, a organização era portuguesa. Foi uma festa fantástica.

Tinha nesse Campeonato um grupo base, enquanto que no de 1989 rodou um bocadinho mais os jogadores. Em 1991 houve algumas alterações: a saída do Abel Xavier por castigo, a entrada do Nélson, mas o onze era base. Foi para aquele Mundial com a equipa já em mente?

A gestação daquele título teve 4 anos. A diferença de 89 para 91 é que a equipa de 89 teve 4 anos de trabalho e a de 91 teve 5, pois o programa começou um ano mais cedo. Mas a filosofia foi basicamente a mesma e a estrutura da equipa estava alicerçada desde o Europeu de Juvenis. Acho que, se a memória não me falha, desde o princípio do projecto, 4 anos antes, até à final, no grupo de 18 jogadores mudámos cerca de 50% dos jogadores, mas o grupo que esteve nos 18 finais, o conceito de equipa, foi estruturado ao longo de 4 anos.

Ultimamente tem-se falado ainda mais por causa do levantamento do limite de estrangeiros que podem jogar no futebol juvenil, e de vez em quando levantam-se questões sobre a idade correcta de um determinado jogador. No Mundial de 1991, o Brasil, talvez um pouco com o mau perder, lançavam as "bocas" de que os jogadores portugueses eram mais velhos, sendo que há cerca de 5 anos veio-se a saber que o Cao efectivamente era mais velho. Como é que reagia a este tipo de comentários? São legítimas estas preocupações?

Naturalmente fazer apostas em jogadores cujas idades por qualquer razão, estão cronologicamente erradas, é mau para o futuro do próprio país. Mas está a dizer-me uma coisa sobre esse jogador que eu não tinha conhecimento e até não vou contrariá-lo porque admito que terá sido informado em algum lado...

Isto foi noticiado na imprensa nacional há cerca de 4 anos.

Sim, mas às vezes estas informações também... É a primeira vez que estou a ouvir falar disso. Mas todas as críticas são bem vindas e naturalmente aceites, agora, vindas do Brasil... Pergunte lá para os lados do Brasil o que significa ser "gato".

Quando ganha o Mundial de Lisboa passa depois para a Selecção principal promoveu uma renovação de jogadores e lançou a Geração de Ouro. Com o momento actual as pessoas podem esperar uma espécie de renovação. Nos últimos três anos deu-se o final dessa geração e Portugal teve muitas vitórias a nível do juvenil e cada vez mais a formação portuguesa tem sido falada. Vai haver uma nova renovação para a Selecção ganhar uma nova identidade?

Se a memória não me falha, o último título que vencemos foi em 2003 vencemos o sub-17 em Viseu e a partir daí nunca mais fomos a uma final. Haverá duas ou três razões: se calhar os outros países também cresceram, têm melhores jogadores e isto às vezes é conjuntural. Se calhar os valores de Portugal não foram tão afirmativos, a própria preparação. Acho que é lógico pensar que as coisas da formação têm um ciclo de vida. Há aqui um efeito de formação e naturalmente os resultados aparecem mais à frente e quando esta formação não existe ao seu melhor nível ou quando os jogadores não têm o talento para isso, obviamente que o ciclo é inverso passados 5 a 8 anos. Não é isso que é para mim o mais importante. Há que olhar para a realidade, estudar o passado e viver o futuro e como líder a minha responsabilidade é fazer hoje aquilo que penso que devem ser as medidas imediatas para que a equipa nacional possa ganhar amanhã e ao mesmo tempo deixar em cada dia no trabalho que faço uma herança positiva para quem quer que venha a seguir, amanhã, para o ano ou daqui a 4 anos. Porque aquilo que se tem de fazer nesta matéria não é para mim, não é para o próximo, é para o futebol português e como Seleccionador Nacional essa é a minha obrigação.

É a obrigação de qualquer Seleccionador Nacional, a não ser que não esteja nas suas capacidades, cuidar do presente, olhar o futuro, tal como é obrigação de um treinador de um clube ou de qualquer pessoa que tenha uma tarefa desta magnitude ou desta responsabilidade. Já as renovações podem ter contextos diferentes. Por exemplo, em 1991, quando Portugal não se qualificou para o Europeu e disputámos o Mundial, para mim, o contexto era um e não se pode comparar ao de 2009. Agora, o que tento fazer não é uma renovação, é uma preparação da Selecção A. A preparação para amanhã e para o futuro, tão simples como isso.



Entrevista realizada no dia 23 de Fevereiro 2009 na Escola de Futebol Carlos Queiroz.
Texto: Hugo Malcato e Nuno Franco.
Imagens: Academia de Talentos.

Comentários

Sobre a Selecçao!

Acho,que como portugues,penso que a selecçao quando foi contra a Espanha,foi fraca a jogar,o Eduardo,o Ricardo Carvalho,o Bruno Alves, o Tiago, o Hugo Almeida e o Simao foram aqueles que deram mais ao jogo e que jogaram melhor,porque o resto da equipa teve parada o jogo todo,o Ronaldo nem se fala,nao foi ajudar a equipa na defesa,esteve sempre no ataque mesmo nao tendo a bola a seu alcançe,ja pra nao se falar da substituiçao do Queiroz ao tirar o Hugo Almeida e por o Danny num jogo que era dificil e era decisivo,e ja agora,porque e que o Queiroz nao tirou o Ronaldo?Pois o Queiroz nao tirou o Ronaldo porque ele e o menino bonito da selecçao,mas naquele jogo nao estava a fazer nada de jeito,e quando tinha a posse de bola,perdi-a um minuto depois,outra o Ronaldo no fim do jogo cuspio para a camera,e depois quando lhe pediram declaraçoes,ele respondeu assim:"Perguntem ao Queiroz".Acho que isto que aconteceu foi uma falta de respeito,perante os seus colegas de equipa,perante o treinador,perante o presidente da Federaçao Portuguesa de Futebol e perante os portugueses.O Queiroz devia ser despedido.Obrigado.

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