Entrevista com Mister Sandro Medeiros

O nosso entrevistado desta semana é um jovem treinador que começou no Vialonga e depois de uma passagem atribulada pelo Vilafranquense, integrou o departamento de Prospecção do Sport Lisboa e Benfica. Actualmente, Sandro Medeiros comanda equipa de Juvenis da Associação Desportiva de Oeiras e colabora também com a equipa de Iniciados que atingiu recentemente as meias-finais do torneio "Nike Premier Cup".
Inicio da carreira como treinador...
Muitos treinadores começaram a sua carreira como jogadores. O Sandro também passou por essa fase?
Sim, comecei a jogar no escalão de Infantis, no Vialonga, mas foi apenas uma passagem. Não tinha muito talento, tinha muito para melhorar, e por isso ia dar muito trabalho aos treinadores. (risos). Desse modo deixei de jogar pouco tempo depois.
Em que altura é que se deu o início da carreira como treinador?
Foi na época 1995/1996. Fui convidado pelo presidente do Vialonga, o sr. Isaltino Carlos, que foi um grande líder. Eu tinha tirado o primeiro nível do curso de treinadores um ano antes, e ele fez-me o convite. Tirei o curso de treinador, não para exercer logo a profissão, mas para perceber como e porque é que se fala tanto de futebol, e para ter algum fundamento para discutir o desporto rei. Voltando à questão, o sr. Isaltino soube que eu tinha tirado o curso e propôs-me treinar os Infantis.
Portanto, a primeira equipa que orientou foi os Infantis do Vialonga?
Sim, na época 1996/1996.
Depois dessa experiência na Vialonga, que outros clubes treinou?
Passei três anos na Vialonga, dois no escalão de Infantis, e um nos Iniciados. Depois fui para Vila Franca de Xira onde estive quatro anos. Nos primeiros dois anos treinei os Iniciados, estive mais um ano nos Juvenis, e nos juniores completei uma temporada. Sai na altura em que treinava os juniores devido a confusões directivas. O clube atravessava uma crise bastante complicada e havia muitos problemas relacionados com a falta de pagamentos. Na época seguinte continuei o meu trajecto na Escola de Futebol Simão Sabrosa onde permaneci quatro anos. Em simultâneo treinei na Escola de Futebol By Verissimo e estive também um ano a dirigir os Iniciados do Povoense. Tudo isto porque consegui conciliar os dois projectos. Posteriormente ingressei no Benfica e este ano estou no Oeiras. A juntar a todos estes projectos já fiz trabalhos de observação para o mister Jorge Jesus, e para o mister Francisco Agatão que actualmente orienta o Operário dos Açores.
Qual a diferença entre as Escolas de Futebol e os clubes propriamente ditos?
A principal diferença é a competição. Uma escola tem métodos mais pedagógicos, de aprendizagem, e é mais sensível ao jogo e aos seus aspectos. Como a própria palavra indica, competição é mesmo isso. E quando orientamos clubes onde há competição, embora também queiramos formar jogadores, há sempre um jogo todas as semanas, e há sempre pormenores que é preciso trabalhar. Existe sempre algo que é preciso fazer em relação à partida do fim-de-semana, estudar o adversário, e fazer uma preparação prévia. Quando estamos numa Escola de Futebol, por vezes temos um mês para preparar actividades que vão decorrer. Não existe a pressão do jogo, e não existe aquele carácter imediato que temos nos clubes.
Contudo, nas Escolas de Futebol por onde passou, também teve a oportunidade de detectar talentos?
Sim, felizmente existem talentos quer nos clubes, quer nas escolas. As escolas de futebol vieram suprir a ausência do chamado futebol de rua. Cada vez há mais escolas de futebol espalhadas pelo país, mais perto das casas das crianças que querem jogar. Locais com muita densidade populacional chegam a ter duas/três escolas. Os principais talentos aparecem numa altura muito precoce e devem ser detectados muito cedo. Cheguei a treinar alguns atletas no Benfica que foram detectados com quatro/cinco anos.
Para si quais são as Escolas de referência no futebol nacional?
A escola do Benfica trabalha muito bem, para mim é a referência a nível nacional. Não só pelos anos que têm, pela qualidade que apresenta e também pela pessoa (Professor Fonte Santa) que gere a escola e que tem feito um trabalho excepcional. A escola do Sporting veio trazer a competitividade que faltava aqui em Lisboa, porque até então o Benfica trabalhava sozinho nestes escalões. Depois há uma série de escolas que também trabalham muito bem e que são muito úteis neste processo.
O ingresso no Benfica
Como surgiu a possibilidade de se juntar ao Departamento de prospecção do Benfica?
Quando estava nos Iniciados do Povoense, na Escola Simão Sabrosa e na Escola de Futebol By Verissimo recebi um telefonema do Bruno Maruta. Marcámos uma reunião, ele explicou-me o projecto e eu soube logo que ia ser algo de inovador, motivante e muito aliciante. Conhecia o Bruno Maruta porque tal como eu também ele é natural de Vila Franca de Xira e por isso tínhamos alguns amigos em comum. Sabia que era uma pessoa muito empreendedora, inovadora e facilmente fiquei cativado pela proposta.
Esse período consistiu numa grande aposta do Benfica na prospecção. Que medidas tentaram implementar?
Com a entrada do sr. António Carraça há uma aposta muito grande na prospecção. Saiu o professor Rui Oliveira e entrou o Bruno Maruta para o lugar de coordenador. E tal como eu, entraram muitas pessoas novas para o departamento de prospecção. Houve um investimento muito grande nessa área, na tentativa de encurtar distâncias face à concorrência. Essa recuperação só podia ser feita com muito rigor, trabalho e disciplina. Foi precisamente isso que fizemos: observámos um máximo de jogos possíveis, referenciamos o maior número de jogadores e fizemos muitas captações em todo o país. Todos os jogadores que apresentavam qualidade, nós já tínhamos conhecimento devido às observações constantes que fazíamos. Essa foi a nossa vantagem, e por isso conseguimos diminuir as distâncias que tínhamos. Mas a chave foi o rigor e o trabalho.
Nesse período, o Benfica ganhou a corrida na contratação de vários jovens talentos. Que factores possibilitaram essas contratações?
Os factores principais foram esses que mencionei anteriormente. Observamos muito jogos, chegávamos primeiro, detectávamos primeiro e por isso contratávamos primeiro. Tínhamos muitas pessoas no terreno, e com muita qualidade. Mas a rapidez e a eficiência com que actuávamos foram factores fundamentais.
Quem eram os principais rivais do Benfica na prospecção de talentos?
O Sporting e o Porto eram os dois principais rivais. Em determinadas áreas, principalmente no norte do país, o Guimarães também surgia como um adversário muito difícil pois trabalha muito bem.
Recorda-se de alguns jogadores que tenha tentado levar para o Benfica e que não tenha conseguido?
Sim, mas preferia não recordar nenhum. Há dos dois lados. Há jogadores que o Benfica tem e que os rivais também queriam e vice-versa. Podia enumerar muitos. Mas destaco o Wiliam Carvalho, o Hugo Airosa, o Rafael Barbosa. Vão existir sempre jogadores que foram ganhos para um lado e perdidos para o outro.
No jogo da selecção falou-nos também do Francisco Teixeira?
O Francisco foi observado por nós várias vezes, mas é um jovem que tem características muito peculiares. É muito introvertido, no estágio que fizemos no Seixal ele não se adaptou e preferiu ficar em Guimarães. Respeitámos a opinião dele e da família.
Existem peripécias nesse meio da prospecção para conseguir o concurso dos jogadores?
Claro que existem, todos os dias. É normal, temos de trabalhar com a pressão do tempo, é necessário chegar primeiro e contratar primeiro. Mas há muitas histórias, quer de um lado, quer de outro.
Consegue contar alguma dessas histórias, mesmo sem entrar em pormenores quanto ao jogador?
Sim. Posso recordar uma viagem ao Norte, em que fomos observar um jogo entre o Guimarães e o Braga no escalão de Infantis. Tínhamos jogadores referenciados e a concorrência tinha os deles. O que aconteceu foi que no caminho encontrámo-nos com os coordenadores do Sporting. E como tínhamos mais jogadores para assinar no Norte do país, a nossa preocupação foi dividirmo-nos rapidamente, para chegar primeiro aos locais. Assim alastramo-nos e chegamos primeiro que a concorrência. Tivemos várias reuniões, várias conversas, foi uma loucura de dia.
Recentemente o Benfica venceu o torneio sub 13 em Ponte Frielas. O Sandro fez parte do recrutamento de alguns daqueles jogadores?
Sim. Eu não gosto muito de individualizar, porque não fui eu, mas sim o grupo de prospecção que contratou. Uma das coisas que me foi incutido pelo António Carraça e pelo Bruno Maruta é que não é o indivíduo que contrata, mas sim o clube, a estrutura e o departamento. Houve muitos jogadores nesse torneio que entraram para o Benfica quando eu ainda fazia parte da estrutura. Claro que tive influência nesse processo, mas foi o grupo de prospecção que conseguiu.
Tivemos oportunidade de observar alguns jogos da sua equipa esta época e notámos que tem uma boa relação com os dirigentes do Benfica. É um reconhecimento pelo trabalho prestado?
Sim, acho que sim. Mas não é só com o Benfica. A minha posição no futebol pauta-se por ter uma boa relação com todos os agentes desportivos e penso que não tenho nenhum caso de mau relacionamento com ninguém. Quem está no futebol tem de manter boas relações com todos, já bastam as pessoas que são exteriores ao desporto e que criam mau ambiente. Quem está dentro do desporto rei tem de tentar manter um bom ambiente, porque todos têm a ganhar com isso. Mas quer seja com o Benfica, quer seja com outro emblema qualquer mantenho sempre uma relação de amizade e de respeito.
Como faz parte de um grande departamento de prospecção conhece bem a realidade do futebol nacional. Há diferenças geográficas relativamente ao tipo de jogadores?
Sim, essas diferenças existem. Há mais jogadores no Litoral do que no Interior devido à densidade populacional. E depois existem também características próprias, consoante a região onde os jogadores se inserem. No Norte há sempre muito mais agressividade. Por exemplo, em Aveiro, dizemos que é uma zona óptima para ir buscar defesas centrais porque os jogadores são mais agressivos. Nas zonas metropolitanas de Lisboa os atletas costumam ser mais inteligentes. É inevitável haver discrepâncias de região para região.
Passando em revista alguns treinadores com os quais teve oportunidade de trabalhar na sua carreira, pode falar-nos um pouco do mister Fonte Santa e do mister Bruno Maruta.
Posso, acho que não vou cometer nenhuma inconfidência. O professor Fonte Santa conheci-o quando estava na prospecção do Benfica. Tive de conhecer as equipas dos vários escalões de formação para poder ver que jogadores podiam entrar ou não no clube. Ao observar os treinos da sua equipa fiquei fascinado como conseguia desenvolver um trabalho com tanta qualidade, com tão poucos recursos. Acompanhei os treinos no campo do Sport Lisboa e Olivais onde havia imensos atletas a treinar, num espaço muito reduzido e o Fonte Santa conseguia sempre uma grande intensidade de treino. Agora no Estádio da Luz é igual, o espaço ainda é menor e a qualidade de treino continua a ser muito grande. Os treinadores que estão ao seu lado são moldados à imagem do que ele acha que dever ser um treinador. É muito organizado, tem uma capacidade de trabalho muito grande, e ao mesmo tempo consegue motivar e fomentar o espírito trabalhador a quem está com ele. É contagiante. Os resultados falam por ele, tem tido óptimas gerações. Enquanto fui responsável pela prospecção no distrito de Lisboa, falei muitas vezes com ele sobre os torneios, sobre os jogadores que podiam entrar ou não e foi sempre uma pessoa muito dada, muito aberta. É muito competente, aprendemos sempre com ele, uma conversa com ele é um momento de aprendizagem.
E o mister Bruno Maruta?
O Bruno tem muita qualidade. Tem uma característica muito importante, nunca fica contente com o seu trabalho, quer sempre mais qualquer coisa. Tive a felicidade de privar três anos com ele e considero que foram muito, mas mesmo muito bons. Aprendi muito com ele, tivemos as nossas discussões e atritos para bem do clube, mas evolui muito ao trabalhar com ele. Ensinou-me muitas coisas que são importantes no trabalho de equipa e numa tarefa onde há imensa concorrência ele foi uma peça fulcral. Aprendi a ter mais agressividade no bom sentido, de fazer sempre mais e melhor, de render mais, de avaliar melhor e de ser responsável por aquilo que faço. A mudança que ele fez, só ele é que pode opinar, fiquei triste por não trabalhar mais com ele, mas com certeza que tem as suas razões. E as gerações que o Benfica vai ter devem-se à capacidade dele, da estrutura encabeçada por ele. Tudo foi escolhido conforme a sua preferência e os resultados vêem-se.
Trabalhou também com o sr. António Carraça. Fale-nos um pouco dele.
Sou suspeito para falar, porque entrei no clube pela mão dele e na sua gestão. Não vou fazer comparações com a actualidade porque ainda é muito cedo, mas na sua gestão havia uma frase que me marcou: "não me tragam problemas, encontrem as soluções." Tenho gerido a minha vida com base nessa frase. Era uma pessoa muito rigorosa no trabalho, incutia esse rigor a toda a gente, todos os funcionários sabiam qual era a sua posição e ninguém opinava sobre algo que não lhe dissesse respeito. Queria sempre trabalhar mais e melhor. Posso dizer que era uma gestão muito profissional. Conseguiu incutir uma exigência e um rigor muito grande às pessoas que trabalhavam directamente com ele, e essas características reflectiam-se em toda a estrutura. Organizou o departamento onde trabalhou e isso reflecte-se.
Mais uma vez sabemos que é suspeito para falar, mas acha que a opinião pública foi injusta com o projecto António Carraça?
Não sei o que é que a opinião pública disse. As pessoas dão muito relevo a quem ganha, e nesse aspecto pode dizer-se que há muito foco na comunicação social para determinados clubes que têm mais tradição na formação do que o Benfica. Este ano tivemos um jogador júnior nos trabalhos da equipa sénior que foi o Nélson Oliveira. A comunicação social deu muito pouca importância ao assunto, e eu pergunto, se fosse noutro emblema o que aconteceria? Provavelmente havia várias entrevistas e dezenas de manchetes sobre isso. Não sei dizer se a opinião pública foi justa ou injusta. Foi um projecto que passou, teve o seu tempo. Neste momento existe outro programa que quer e vai tentar ser melhor. Agora não posso responder a essa questão porque nunca houve muito burburinho sobre isso e houve muito pouca coisa escrita na comunicação social sobre o projecto António Carraça.
Pode falar também um pouco do sr. António Luís?
O António Luís era responsável pelo planeamento e organização do Benfica. E era mesmo isso. Tudo passava por ele, era muito dedicado, sabia o que fazia, a base de dados que ainda se usa no Benfica foi criada por ele. Tinha também muitas iniciativas, realizava colóquios que tiveram bastante sucesso. Incrementou grandes programas e foi um suporte muito grande ao projecto António Carraça.
O regresso ao banco de suplentes
Em que circunstâncias é que se deu a sua ida para o Oeiras?
Com a saída do Bruno Maruta, houve um impasse no departamento de prospecção. O Rui Costa entrou para a direcção do clube, e como líder, tinha muitas decisões a tomar em relação ao plantel da equipa sénior. Desse modo houve um período de indefinição na prospecção. Eu não queria ficar parado e tinha duas alternativas: ou ia trabalhar ou ficava à espera da resposta do Benfica e via o que se passava. Apareceu a proposta do Oeiras e depois de me reunir com o Alexandre Neves e com o João Plantier cheguei a um acordo. Ia trabalhar nos Infantis no futebol de sete, nas escolinhas e ia ser adjunto no escalão de Iniciados. Posteriormente fui contactado pelo Benfica e cheguei a um acordo para colaborar de novo com eles, mas respeitando o acordo que tinha firmado com o Oeiras.
Depois de trabalhar em três escalões no Oeiras durante alguns meses, foi convidado para assumir o cargo do treinador principal dos Juvenis, devido ao despedimento do seu treinador face aos maus resultados. Sentia que estava preparado para assumir o cargo ou havia algum risco na sua decisão?
Sinto-me sempre preparado. Nesta área onde trabalho tenho de estar sempre preparado e confiante para assumir todos os desafios. O facto de me terem convidado para o lugar é uma prova da confiança que têm em mim. Fui para Oeiras sem conhecerem o meu trabalho como treinador, apenas tinha colaborado no Benfica e mesmo assim confiaram muito em mim. A forma que eu tinha para retribuir a confiança que tinham depositado em mim foi aceitar o convite. Sabia que ia ser difícil, que havia alguns obstáculos, mas era impossível recusar pela confiança que depositaram em mim.
Que balanço é que faz destes seis meses?
Foi positivo, porque conseguimos o objectivo de ficar no Nacional. Conseguimos um óptimo lugar, mas dentro do grupo sabíamos que ainda podíamos ter ficado mais acima, pela qualidade que tínhamos no plantel. Só contra os emblemas grandes é que perdemos por mais do que um golo. Batemo-nos de igual para igual com todas as equipas, fizemos bons jogos, mas pecamos sempre na finalização e noutros aspectos em que não fomos tão felizes. De qualquer das maneiras acabou por ser positivo, embora pudéssemos ter feito um pouco melhor.
Oeiras é uma localidade em desenvolvimento. Tem boas infra-estruturas, tem uma grande densidade populacional e um bom desenvolvimento sócio-económico. A equipa de Hóquei em Patins já está na I divisão, será possível que a médio longo prazo podemos ter uma equipa de Futebol a assumir uma posição de destaque no panorama futebolístico nacional?
Acho que a envolvência do clube é óptima. Todos os factores que referiste podem contribuir para isso, mas no Oeiras falta uma coisa que infelizmente tem uma grande importância: a estrutura humana. O clube tem muitos escalões, há praticamente equipas A e B em todos os níveis à excepção dos juniores. E não há uma estrutura humana capaz de dar uma resposta a todos os problemas que surgem nas equipas. Muitas das situações têm de ser resolvidas pelos técnicos, faltam pessoas para apoiar a estrutura. Só existe um director disponível para ajudar todos os escalões que estão abaixo dos juvenis, e outro para apoiar juvenis e juniores, o que é manifestamente pouco. O que vai fazer este clube crescer são os directores e as pessoas que se disponibilizarem para ajudar. O clube tem excelentes jogadores, óptimos treinadores, ambos já têm saído para clubes grandes, portanto estão reunidas todas as condições para um bom crescimento. E se essa evolução não tem acontecido as pessoas deviam parar e pensar um pouco. Faltam mais pessoas de Oeiras no Oeiras.
Há uma coisa que se verifica nos clubes mais a Norte, que são as parcerias com outros emblemas. O Porto com o Padroense ou o Boavista com o Pasteleira são alguns bons exemplos. Seria interessante para o Oeiras ter uma parceria semelhante?
Nós já temos essa parceria com o Colégio de Carcavelos. É um protocolo que foi assinado, é uma parceria muito interessante. Eles têm a gentileza de nos ceder as instalações para treinarmos, e nós quando temos alguns jogadores que não têm lugar nas nossas equipas, mas com os quais queremos manter o vinculo, emprestamo-los. É uma parceria interessante que já existe há algum tempo e penso que é para continuar.
Gostaria de poder contar com jogadores emprestados pelo Benfica ou Sporting ou até do Belenenses?
É sempre interessante contar com jogadores vindo desses clubes. Acho que se continuarmos a trabalhar bem, as formações mais poderosas vão ter todo o interesse em colocar os seus jogadores a rodar nas nossas equipas. É importante é que esses jogadores tenham qualidade, não é só emprestar por emprestar. No Oeiras estamos sempre receptivos a esse tipo de situações. É um clube humilde, que trabalha bem e que nunca fecha a porta a esse tipo de propostas. Não tem acontecido tantas vezes como queríamos, porque alguns clubes da chamada segunda linha, como o Estrela da Amadora, o Odivelas e até o próprio Belenenses tem recebido muito mais jogadores do que nós. Mas quanto a isso não podemos fazer nada, e se continuarmos a trabalhar bem, os clubes grandes irão confiar mais em nós.
Diversos entendidos do futebol dizem que por vezes os pais dos jogadores acabam por ser os seus piores inimigos. O que acha dessa situação?
Não tenho nenhuma dúvida que os pais querem o melhor para os filhos. O que se passa é que muitas vezes querem tanto ajudá-los e protegê-los que não os ajudam a crescer e a formar a sua própria personalidade. A tendência é o filho fazer o que os pais querem, mas os jovens também têm de ter a sua identidade própria. Os pais são muito importantes no processo de evolução do jogador, mas, enquanto agentes desportivos também têm de respeitar os outros agentes desportivos que interferem no processo de formação do jogador como os treinadores por exemplo. É necessário que os pais compreendam que os treinadores estão ali para treinar, os dirigentes para dirigir e os pais para apoiar e educar. Em muitas ocasiões isso não acontece, há uma promiscuidade de funções e de opiniões que não pode existir. O que devia acontecer era uma parceria entre pais, treinadores e dirigentes de modo a que evolução do jogador fosse melhor. Contudo isso é bastante difícil de concretizar. Por vezes os pais vêem os filhos como uma saída, como um futuro que lhes possa trazer melhor qualidade de vida, devido aos elevados salários que se praticam no mundo do futebol. Mas nem sempre é assim. E depois criam-se várias expectativas, várias ilusões, que não são benéficas para ninguém.
Alguma vez teve que marcar alguma conversa com pais de jogadores?
Na prospecção é normal falar com os pais dos jogadores, agora enquanto treinador não tenho esse princípio. Deixo esse trabalho para os directores. Já tive conversas positivas com pais de jogadores, mas também já tive diálogos muito negativos. Então eu faço o meu trabalho que é treinar, e os pais fazem o deles que é educar. Enquanto membro do departamento de prospecção tenho de falar com os pais, tento não criar ilusões, se bem que é muito difícil, porque quando se representa um clube grande o sonho vem sempre atrás. Tento sempre ser realista, mas às vezes é complicado.
Disse recentemente que deve existir uma maior atenção aos Campeonatos Distritais e aos jogadores que neles actuam. Mas os grandes jogadores não estão já nos grandes clubes, ou não estão já referenciados?
Podem estar já referenciados ou nos grandes clubes mas existem sempre erros. Se tudo funcionasse da melhor forma o Nani não tinha ido para o Sporting quando já era juvenil de primeiro ano. Existem sempre erros. Isso acontece porque a evolução do jogador pode não ser tão rápida, de um momento para o outro evolui muito e justifica a ida para um grande. Noutras ocasiões a equipa desce, a geração que vem atrás vai jogar para o Distrital, não tem culpa e no entanto existem óptimos jogadores. E por vezes, o facto de jogarem com mais frequência noutro Campeonato mais competitivo, faz com que evoluam e desse modo podem ter o seu espaço no Nacional. Tenho acompanhado o Campeonato Distrital de Iniciados sempre que posso e existem muito boas equipas e muitos bons jogadores.
Não são raros os casos de jogadores que não são aproveitados num clube grande e depois acabam por brilhar noutro emblema de menor dimensão. Porquê? Devia haver mais paciência e mais observação?
Às vezes uma equipa tem vinte jogadores. Jogam onze, há mais quatro ou cinco que são utilizados com mais frequência, mas depois existem outros jovens que não jogam com tanta regularidade. Se forem para outro clube e tiverem oportunidades de jogar, tenho a certeza que vão evoluir muito mais. Não é um problema de observação, sabemos que o talento está lá, que há qualidade, mas podem existir outros problemas que impossibilitem a afirmação. Há questões de adaptação ao clube, aos métodos de trabalho e por vezes surgem outros factores externos que contribuem para que o jogador não tenha um bom ano, ou uma avaliação positiva. No entanto sabemos que há muito talento caso contrário nunca teríamos ido buscar o atleta, mas por vezes a afirmação só surge mais tarde, e quando já está a jogar noutro clube.
Quais as diferenças no futebol de formação entre os três grandes e entre estes e as outras equipas?
Acho que os três grandes trabalham muito bem, a formação em Portugal está a evoluir muito bem, mas existem diferenças entre os três grandes. Porto e Sporting não posso falar tanto, mas no Benfica acompanhei o processo e vi as margens que fomos encurtando relativamente à concorrência. Depois existem clubes da chamada segunda linha, que não têm tantas infra-estruturas mas que trabalham muito bem. Esses clubes têm treinadores muito bons que até vieram de clubes grandes e que desenvolvem projectos interessantes. Há ainda clubes que também fazem falta no futebol mas que vivem há base da carolice e que trabalham de outra forma. A diferença principal está na qualidade dos jogadores e dos treinadores que depois originam óptimas épocas e atletas com futuro. Na minha opinião trabalha-se cada vez mais e a diferença é cada vez mais reduzida.
Há diferenças relativamente à mentalidade e ao poder económico. Isto porque o Sporting aposta muito mais nos jovens porque não tem tanta capacidade financeira para contratar jogadores, por exemplo.
É uma das características do Sporting e que o diferencia dos outros clubes. É visível para todos, não querendo entrar numa área que não me compete, mas é notório que há essa cultura no clube. No Benfica começa a aparecer, e isso faz-se sentir nos jogadores que já vão aparecendo nos seniores. O Porto também tem formado muitos jogadores, não aparecem tanto na equipa principal, mas surgem na II Liga, em clubes menores da I Liga e noutras divisões inferiores. Por vezes esses jovens até são utilizados como moeda de troca para a contratação de outros jogadores, ou são emprestados sucessivamente. E quando regressam surgem num patamar muito elevado. O Bruno Alves e o Ricardo Carvalho são bons exemplos do que acabei de dizer. Todos os três grandes têm particularidades na forma como abordam a formação.
Os clubes que estão numa chamada segunda linha se tivessem outro tipo de infra-estruturas e condições poderiam estar mais próximo dos três grandes?
Sim, claro. Mas as condições são cada vez melhores. Fui jogar a Odivelas e a Massamá e esses clubes têm condições fabulosas. Oeiras já tem condições interessantes, o Estoril também e até o próprio Belenenses. Já existem uma série de clubes com grandes condições e que lhes permitem encurtar as diferenças face aos três grandes. Existe também a necessidade de terem melhores equipas e isso só se consegue recrutando melhores jogadores. O que acontece é que essas formações de menor dimensão não têm o poder de recrutamento nem as estruturas que lhes permitam ir buscar os melhores. Se isso acontecesse as equipas iam ficam muito mais competitivas e por consequência os campeonatos iam ser mais equilibrados.
Esses factores que enumerou originam que haja oscilações nas equipas de ano para ano. Por exemplo, o Oeiras ficou em terceiro lugar no campeonato de juniores do ano passado e esta temporada está num nível mais baixo?
Claro. As oscilações acontecem sempre. Não quero falar em casos particulares, mas se não formos recrutar os melhores, temos de ficar com aquilo que nos aparece. E se num ano podem aparecer jogadores muito bons, no ano a seguir a equipa pode não ter tanto valor. Os clubes de segunda linha têm de pensar muito bem, porque é no recrutamento que está o futuro.
As curiosidades, as preferências e os projectos de Sandro Medeiros
Que curso de treinador tem actualmente?
Tenho o terceiro nível.
Equaciona desenvolver a sua formação, através de uma formação superior?
Sim, este ano foi impossível estudar e ir para a faculdade. Em termos profissionais tenho um horário muito sobrecarregado. Ainda não foi possível tirar o quarto nível que vai abrir agora, por outros factores. Mas claramente que a formação superior e o quarto nível do curso de treinadores são metas que quero alcançar.
Quem o conhece sabe que é exigente mas que também tem uma boa relação com os seus jogadores. É este o seu estilo?
É um bocadinho. Sou muito exigente, porque tudo me obriga a ser exigente. Se não for, outros vão ser e vão-me passar à frente. Para cumprir os meus objectivos e para conseguir triunfar tenho de ter essa característica. A exigência foi um factor que me possibilitou chegar até aqui, e se deixar de ser, algum colega vai ocupar o meu lugar. É essa concorrência que me obriga a ser assim, e transmito-o todos os dias aos meus jogadores. Quem já trabalhou comigo ou trabalha sabe que eu sou assim, mas depois vêm-se a confirmar que era necessário haver um nível de rigor muito grande. Penso que todos devem ser exigentes, só assim é que se pode melhorar, isso é muito importante.
Tem algum treinador como referência?
Tenho vários. Gosto muito do José Mourinho pelas capacidades que tem. Aprecio o Arsene Wenger porque as suas equipas jogam bonito, e pela capacidade que tem em avaliar os jogadores. Gosto do Fábio Capello pela organização, exigência e competitividade que tem. Simpatizei muito com o mister Trapattoni porque tive oportunidade de o ver trabalhar muitas vezes. É uma pessoa bastante calma, sabe muito de futebol e é um líder. Em Portugal gosto do mister Jorge Jesus pelas qualidades que tem, independentemente do que digam dele é um grande treinador e os resultados falam por si. O Carlos Carvalhal e o Daúto Faquirá também têm feito bons trabalhos, têm tido alguns azares mas são pessoas muito organizadas. Tenho bons modelos a seguir quer a nível nacional, quer no plano internacional.
Qual o seu tipo de futebol preferido?
Gosto muito do Italiano. É muito táctico e para um treinador é muito mais rico. Se calhar não é tão atractivo como o inglês ou o espanhol, porque nesses países ataca-se muito mais. Em Itália a principal preocupação não é defender, como a maioria das pessoas diz, é anular o adversário. E isso também se pode fazer atacando. É muito rico tacticamente. Há mais resultados de 0-0 ou de 1-0, a diferença mínima é bastante comum, porque os jogadores não arriscam tanto, são mais cautelosos e jogam sempre pelo seguro. A táctica sobrepõem-se à técnica. Também gosto muito do futebol sul-americano, em particular o argentino, pela magia e pela agressividade que tem.
Falando em táctica, prefere a táctica ou os jogadores. Dizendo de outra forma, prefere potenciar os jogadores que tem e montar a táctica depois, ou prefere encaixar os jogadores na estratégia que já está montada previamente?
Essa questão é muito pertinente. Já trabalhei com vários sistemas tácticos. Há alturas em que podemos moldar o jogador à nossa táctica, mas noutras alturas isso não é possível. Por vezes, temos de reconhecer e ser humildes o suficiente para perceber que é necessário arranjar alguma táctica para os jogadores que temos. Foi precisamente isso que me aconteceu aqui no Oeiras. O outro treinador jogava num sistema diferente, e tive de adaptar. O que deve acontecer é um misto, não se pode ser tão globalizado e generalizado, preto preto, branco branco. Nós podemos adaptar um médio centro a uma situação táctica diferente mas não podemos adaptar onze jogadores a uma realidade nova, que não conhecem. Por isso ou temos tempo ou é muito difícil de fazer.
Nesse caso considera que não existe um sistema táctico ideal para formar jogadores?
O sistema ideal é o que ganha jogos (risos). Particularmente gosto do 4-3-3, porque é o mais fácil de implementar nos jogadores. Vou falar de um técnico do qual gosto muito de ver trabalhar em 4-4-2. O mister Bruno Lage usa muito este sistema e aprendi muito vendo-o trabalhar. Cada vez que o via treinar neste sistema ficava a achar que era o ideal. Mas é muito difícil de poder fazer, tem de se ter uma capacidade muito grande. Eu sinto-me mais confortável no 4-3-3. Para formar um jogador qualquer sistema é bom, o que é preciso é definir bem os objectivos. Se calhar o ideal é passar por vários processos, por várias tácticas até chegar à idade sénior. Nessa altura se já tiver tido várias experiências, o jogador estará mais capaz. Isso é o ideal.
Qual é o melhor jogador do Mundo da actualidade?
É sempre muito subjectivo. O momento em que os jogadores estão é que ajuda a definir. Gosto muito do Ibrahimovic, do Messi, do Totti, do Lampard, do Gerard, do Daniele De Rossi. Há muitos jogadores que gosto de ver jogar.
Nunca teve a oportunidade de ir treinar uma equipa sénior?
Tive. Quando sai de Vila Franca de Xira houve a oportunidade de ir trabalhar para os seniores do Damaiense. O Sr. Vítor, que era um elemento do clube, ligou-me e convidou-me para ir treinar a equipa. Faltavam seis/sete jornadas para o fim da prova, a equipa estava numa situação muito complicada e achei que não era o momento para começar a trabalhar numa equipa sénior. O projecto era de risco, tinha apenas sete jornadas para conseguir a manutenção e achei que ainda não era a altura para estar sujeito a tanta pressão. Vinha directamente da formação e considerei que ainda tinha de aprender muito mais antes de chegar a esse patamar.
Mas ambiciona chegar ao comando de uma equipa sénior?
Claro que sim. Trabalho todos os dias para isso. Ainda me faltam algumas etapas, gostava muito de trabalhar como adjunto de uma equipa sénior para ganhar mais experiência. Como treinadores também nos formamos, não basta tirar um curso ou sair da Faculdade e dizer que já somos treinadores. Há muitas fases que é preciso percorrer para chegar lá. Quando aceitei o trabalho de prospecção no Benfica achava que era importante aprender como avaliar e planear uma equipa. Não quero dizer que todos temos de passar por esta etapa, mas quanto mais fases passamos, mais vamos ficando preparados para quando chegar o desafio de treinar uma equipa sénior. O mister José Mourinho é um bom exemplo, começou como treinador de guarda-redes, depois como técnico-adjunto e só depois é que se assumiu como principal.
Está a chegar a II fase do Campeonato Nacional de Juvenis. O Sandro está dentro da realidade e por isso qual é a sua opinião em relação às equipas do Benfica e do Sporting?
São duas equipas muito, muito fortes. Acho que a formação do Sporting tem um maior número de jogadores de qualidade e isso permite-lhes rodar mais o plantel. O Benfica tem de manter um onze mais fixo. São duas excelentes equipas que vão seguramente chegar à III fase e consequentemente lutar pelo título. São dois conjuntos muito bem treinados, gosto principalmente do mister João Couto porque o vi trabalhar várias vezes. É muito difícil de prever qual a equipa que vai ter mais sucesso, até porque sou suspeito para falar (risos).
E que impressão tem da selecção nacional de sub 17?
É o conjunto dos melhores jogadores destas duas equipas que falei, do Porto, de alguns jogadores do Braga e do Guimarães e de outros clubes que também possam contribuir. Temos uma boa geração, com muita qualidade, que se calhar ainda não está a pagar a factura da invasão de estrangeiros, (espero que não venha a pagar) e por isso penso que é muito forte.
Já que fala nisso, é preocupante a invasão de jogadores estrangeiros nos escalões jovens do nosso futebol?
Em determinada altura não havia estrangeiros, era sinal que não havia melhor, e que trabalhávamos bem. É preocupante saber que estão cá tantos estrangeiros, mas é um reflexo da globalização, porque chegamos a um ponto em que a prospecção trabalha muito bem, toda a gente conhece bem os jogadores e todos querem que os seus clubes tenham os melhores. E se não é possível contratar cá dentro, é necessário abrir fronteiras porque para além de se formar é preciso ganhar. Agora posso falar nisso, o projecto António Carraça é um bom projecto, com qualidade, mas só teve um título como campeão. E por isso é justo dizer que falhou? Perdeu um título por diferença de golos, outro por uma diferença mínima de um ponto, mas o que é certo é que para a opinião pública os títulos são muito importantes. Por isso para além de se formar é preciso ganhar. Se não se ganha a formação passa para segundo plano. E por isso é preciso recorrer aos melhores jogadores, só que em alguns casos os melhores estão no estrangeiro. É justo dizer que alguns vieram trazer muita qualidade ao nosso futebol, mas outros são de qualidade mais duvidosa. Em suma, as pessoas que estão nos clubes querem trazer sempre os melhores para poderem ganhar, porque acham que se vencerem também estão a formar.
O problema que às vezes se coloca é que são contratações que são apenas para colmatar uma falha que a equipa tem e não são jogadores com futuro.
Aconteceu isso num passado mais distante. Havia jogadores que vinham num determinado ano, chegavam a Junho, depois desapareciam e nunca mais se ouvia falar neles. Mas também existem estrangeiros que vingaram no nosso futebol, vieram no escalão de Infantis, permaneceram cá nos Iniciados, agora estão nos Juvenis e têm muita qualidade. Agora espero é que seja uma evolução continuada que vá até aos seniores. Não se quer fechar as portas a ninguém mas é importante que haja uma balança que permita estabelecer um equilíbrio na aquisição de estrangeiros e na formação de jogadores nacionais.
Há algum assunto que gostasse de falar, alguma questão que queira chamar a atenção, ou algum tema importante que deseje apelar?
A formação dos dirigentes do futebol português é uma questão muito importante. Numa altura em que há vários clubes no futebol nacional com ordenados em atraso que é um acontecimento lamentável, penso que a questão dos dirigentes seja importante. A situação traumática que assola o nosso futebol só acontece porque não há regras. Se existissem regras, quem tinha os ordenados em atraso não podia inscrever jogadores ou competir e esta situação acabava. Não é possível existirem jogadores profissionais com vencimentos em atraso. Diariamente, noutros sectores como a indústria estas situações são frequentes, mas há uma paralisação imediata. No futebol a situação continua, há jogos todos os fins-de-semana e o povo continua contente. Assistimos a casos destes todos os dias, para as pessoas continua tudo bem, mas há alguns casos dramáticos, porque nem todos os jogadores recebem milhares de euros. Na primeira Liga há muitos jogadores que recebem poucas centenas de euros, e há também muitos atletas que não querem ir para a I liga pela exigência que isso traz mas também porque numa divisão amadora podem ter outro trabalho e um ordenado certo. Se existissem regras nada disto acontecia. Da mesma forma que não podem existir treinadores a ganhar 250 euros e depois é-lhes exigido que formem óptimos jogadores. Não é só apostar uma hora por dia ou por semana, é preciso haver mais verbas, por vezes elas até existem, mas são canalizadas para outros lados.
Falou também que havia muitos jogadores guineenses a jogar nos Campeonatos Nacionais. Que opinião tem sobre eles e porque é que fazem tanta diferença?
Fazem a diferença pela qualidade que têm, eles são os melhores jogadores do seu país. Quem faz o recrutamento vai buscar os melhores. Quando os observamos principalmente no Benfica ou no Sporting vê-se logo que há qualidade. Eu também tenho dois jogadores guineenses no meu plantel. Têm uma óptima qualidade, excelentes características técnicas e fisicamente são muito poderosos. A nível genético já têm tendência para ser grandes atletas. Estes jovens estão cá, estão a aprender a alguns princípios básicos do futebol, é necessário incutir alguns métodos de treino mais evoluídos que lhes possibilitem ter uma evolução maior, especialmente nos primeiros tempos. Se bem que nessa fase ainda é um período de adaptação, posteriormente é que a evolução é mais acentuada.
As suas características naturais podem ser ainda mais potenciadas com os métodos de treino mais evoluídos do nosso país?
O nosso método de treino é melhor, mais organizado e isso provoca uma motivação diferente. Eles estão longe da família, das pessoas que gostam, vêm para cá trabalhar e por isso têm aquele espírito emigrante. Todos estão cá em Portugal com o objectivo de serem profissionais, com o intuito de ganhar algo que possa ajudar as suas famílias. Todos esses factores que enumerei fazem com que ainda sejam melhores jogadores.
São exemplos de humildade?
Muitos deles são. Até agora todos os que conheci são grandes exemplos de humildade e de respeito. E é engraçado que entre eles existe muita amizade, são muito unidos.
Entrevista realizada no dia 21 de Março 2009.
Texto: Hugo Malcato e Miguel Belo.
Imagens: Academia de Talentos.
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Comentários
ERRATA
O treinador de juvenis anterior ao Sandro, não foi despedido. DEMITIU-SE. E não teve nada que ver com os resultados. Motivos: Questões organizativas do clube e decepção por jogadas "obscuras" que vão ocorrendo no Oeiras de Artur Campos e de um tal de Catió.
"Que balanço é que faz
"Que balanço é que faz destes seis meses?
Foi positivo, porque conseguimos o objectivo de ficar no Nacional. Conseguimos um óptimo lugar, mas dentro do grupo sabíamos que ainda podíamos ter ficado mais acima, pela qualidade que tínhamos no plantel. Só contra os emblemas grandes é que perdemos por mais do que um golo. Batemo-nos de igual para igual com todas as equipas, fizemos bons jogos, mas pecamos sempre na finalização e noutros aspectos em que não fomos tão felizes. De qualquer das maneiras acabou por ser positivo, embora pudéssemos ter feito um pouco melhor."
em relação a esta resposta, só posso afirmar que, caso deixasse o afilhado em casa e deixasse jogar quem sabe, muita coisa podia ter corrido melhor.
como é que é possível um jogador do Oeiras, ser considerado o melhor em campo pela assistência da equipa adversária, e no jogo seguinte, ficar no banco, enquanto o afilhado regressava ao jogo?
só esta para exemplo...
quem assistia com alguma frequência aos jogos, facilmente se apercebia do que os pais dos miúdos do Oeiras queriam ver em campo a jogar, as apostas falhadas em toda a linha, o mandar a equipa para os jogos com o treinador adjunto, com as substituições escritas num papel, para serem feitas sem terem em conta o decorrer do jogo.
pelo que me foi dado ver, anda a cavar uma boa campa, não lhe auguro nenhum futuro pela frente. ou muda e muito ou bem que pode ir para outra profissão...
foi um verdadeiro coveiro de jogadores...
ZPOWER
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