Jovens Promessas: Diogo Viana.
Diogo Viana (Futebol Clube do Porto)
No dito futebol moderno, com especial enfoque para os últimos quinze anos, é cada vez mais consensual a ideia de que os extremos de raiz começam a escassear e ameaçam tornar-se numa espécie em vias de extinção.
Curiosamente, Portugal tornou-se, ao longo dos anos, um viveiro de referência no que respeita à formação e exportação de talentos capazes de atribuir profundidade ao jogo. Não é difícil enumerar nomes sonantes que fizeram dos corredores o seu habitat natural. Sobre a forma de aviso, no Dragão emerge um talento incontrolável que já teima em figurar na árvore genealógica dos flanqueadores de referência.
A responsabilidade de bem decidir
Se os holofotes da fama confirmam a vocação de um futebolista, Diogo Viana terá feito a sua primeira aparição durante este defeso, altura em deixou Alvalade para rumar ao Dragão, numa transferência que implicou a ida de Hélder Postiga para o Sporting C.P.
Aos dezoito anos, o nome de Diogo Viana passava a ser soletrado com frequência pela exigente plateia azul e branca, até pelo cariz do negócio, que trouxe consigo expectativas acrescidas. Foi a 8 de Janeiro de 2009, que o sonho deu lugar à realidade. F.C. Porto e Vitória de Setúbal mediam forças naquela que era a primeira jornada da fase de grupos da Taça da Liga. O minuto 77 tornou-se eterno aos olhos dos adeptos, quando do pé direito do jovem extremo saiu a primeira assistência para golo (Rabiola marcou), valendo a vitória portista no encontro.
Capas de jornais, caracteres elogiosos, solicitações intermináveis fizeram o rescaldo de uma actuação que apenas precisou de quatro minutos para se fazer sentir. Estava cumprido o grande objectivo de Diogo Viana, a estreia oficial com a camisola da equipa principal do F.C. Porto.
Tardio, dirão os mais apressados. Êxito inevitável é o que apregoa o seu trajecto.
Velocidade nos relvados...
Para trás ficou o Algarve e a cidade de Lagos, de onde é natural. Longínquos são os tempos em que Andy Robinson, seu primeiro treinador no Grupo Desportivo do Burgau, consolidava a imagem de um novo Michael Owen. Aos sete anos, a velocidade e capacidade de execução já eram faculdades vincadas em Diogo Viana. Não foi por isso de estranhar a passagem fugaz pelo clube.
Um ano após a sua incursão no futebol, já o principal clube da cidade de Lagos se rendia às suas qualidades. Diogo Viana representou o Clube de Futebol Esperança de Lagos nos escalões de Escolas B, Escolas A e ainda um ano nos Infantis.
Foram três anos de confirmação gradual dos talentos inegáveis deste jovem talento. A afirmação foi imediata, tendo-se sagrado melhor marcador e melhor jogador do campeonato antes de rumar ao Sporting C.P. Ainda hoje é uma referência incontornável do Esperança de Lagos, que fez questão de deixar uma menção honrosa ao atleta no seu site oficial, aquando do seu 19º aniversário.
... E no percurso até Alvalade
Aos onze anos surge a primeira grande decisão da sua curta carreira. De Alvalade surgiu o convite, num primeiro aceno ao engrandecer do seu percurso. A adaptação à capital e a separação dos pais avizinhavam-se como obstáculos incontornáveis. Porém, cicatrizados pelo refúgio dos relvados, onde Diogo Viana se habituou a fazer face às adversidades.
A integração no futebol leonino decorreu ao ritmo do impacto das suas actuações. Foram sete as épocas de leão ao peito, conotadas com o peso da influência que exercia no último terço do terreno. No seu segundo ano enquanto Iniciado, chegou mesmo a sagrar-se melhor marcador da equipa.
Naturalmente, passou a figurar no leque de escolhas da Selecção Nacional. Decorria o ano de 2005, quando Paulo Sousa se estreou no cargo de seleccionador nacional de Sub-16. Nas vésperas do Torneio Internacional de Vale do Marne, disputado em França, Diogo Viana passava a integrar a sua primeira lista de convocados.
A estreia contra a Republica da Irlanda correu de feição ao jovem extremo, ao exibir-se ao nível que já lhe era reconhecido em Alvalade. Uma assistência para golo foi apenas o aperitivo para a sua fixação nos eleitos dos vários seleccionadores nacionais, interrompida apenas por lesão. Nesse particular, a ruptura de ligamentos que o obrigou a parar durante cinco meses, na transição dos Sub-16 para os Sub-17, terá ficado certamente na memória como o pior momento da sua carreira.
Estirpe de craque
A resposta à lesão foi dada à velocidade que o caracteriza. A época terminaria em beleza, com a conquista do título nacional de Sub-17. A sua participação não podia ter sido mais decisiva ao consagrar-se como um dos melhores marcadores da equipa. Perdeu-se-lhe o rasto às assistências.
A conquista do primeiro título nacional queimou mais uma etapa no processo evolutivo de Diogo Viana, mas foi nos Sub-19 que a afirmação de Diogo Viana ganhou contornos além-fronteiras. Nesta fase, as esperanças já começavam a transpirar certezas. Contudo, o jogo a,igável que opôs o Sporting C.P. ao Manchester United adquiriu contornos de déjà vu. Os leões venceram a formação inglesa por expressivos 5-2, com Viana a bisar no encontro, um dos golos foi mesmo de levantar o estádio, num potente remate do meio da rua a fazer a bola entrar no ângulo superior direito. Terá sido mera coincidência, mas a realidade Cristiano Ronaldo pairou sobre os seus horizontes.
A ânsia de novos desafios levou-o a protagonizar uma transferência, no mínimo, invulgar. Não sem antes arrecadar mais um título para o seu historial. Antes de rumar ao Dragão, celebrou a conquista de mais um tí6tulo nacional ao serviço dos leões, desta feita na categoria de Sub-19.
Após sete anos em Alcochete, chegava ao clube que se habituou a admirar. Nova mudança radical na vida do jogador, com a adaptação a outra cidade e às exigências de representar o crónico Campeão Nacional. Decerto, agudizadas pelo trajecto consolidado em Alvalade e pelas especificidades de um negócio sempre surpreendente entre rivais.
A caminho da elite
O desejo de vestir a camisola azul e branca conduziu-o a uma primeira época brilhante. Cumprida que está a primeira fase do Campeonato Nacional de Juniores, Diogo Viana está cotado como uma das principais pérolas da formação portista. Já apontou dezasseis golos durante a fase regular, figurando em segundo lugar na lista de marcadores da equipa. Mais uma vez, a missão de assistir os companheiros remete-o para o papel de protagonista indiscutível, num saldo produtivo verdadeiramente assombroso.
Não foi por isso de estranhar a sua inclusão no plantel principal dos dragões. Frequentemente chamado por Jesualdo Ferreira a integrar os treinos do plantel sénior, Diogo Viana fez a sua estreia frente aos sadinos. Foram cerca de quinze minutos que se convertem num resumo do seu futebol influente. Entretanto, participou no jogo da Choupana, frente ao Nacional da Madeira, tendo também actuado frente à Académica de Coimbra, no Dragão, ambos os desafios a contar para a Taça da Liga.
Certamente, ficará marcado na sua memória o jogo das meias-finais da competição. Jesualdo Ferreira confiou nas suas capacidades para o desafio com o Sporting C.P., mas o regresso a Alvalade ficou marcado pela derrota expressiva dos dragões, por 4-1, e pelos naturais assobios ao avançado. O dia da desforra não tardou. O sorteio para a fase final do campeonato de juniores reservou nova deslocação ao domínio do leão, logo na primeira jornada.
O rumo ao convívio entre as grandes estrelas manteve-se inalterável, com influência directa nos Sub-19, mas não só. A Taça Intercalar tem potencializado de sobremaneira as suas capacidades. A competição tem servido de palco para o aumento competitivo gradual dos jovens que integram o plantel júnior. Para não destoar daquele que tem sido o seu timbre, Diogo Viana já contabiliza quatro golos na sua conta pessoal, o que perfaz dele a certeza de uma estrela em ascensão.
Na nação portista, já se anseia por novos truques de magia que outrora encantaram a plateia azul e branca. De Ricardo Quaresma, assumidamente o seu ídolo, revêem-se as semelhanças no drible, na explosão e na capacidade para assistir. A veia goleadora é só mais um predicado que os aproxima numa comparação, inevitavelmente legítima.
Já são globalmente conhecidos os processos de transição dos jovens atletas até à equipa principal do F.C. Porto. Mas quem pareceu decidido a saltar uns quantos degraus foi o Seleccionador Nacional de Sub-21, Rui Caçador. Após ter sido eleito o melhor jogador no XIV Torneio Internacional Cidade de Lisboa, ainda ao serviço do Sporting C.P., a habitual figura dos Sub-19 já fez parte do lote de convocados da Selecção Nacional de Esperanças.
Aos dezanove anos, Diogo Viana já tem no seu álbum uma história para contar, imbuída em tons que o Campeão Nacional tão bem sabe explorar.
Nome: Diogo Filipe Guerreiro Viana.
Data de nascimento: 22/02/1990.
Altura: 1,75m.
Peso: 64kg.
Posição: Extremo Direito/Esquerdo.
Clube: Futebol Clube do Porto.
Texto: Nuno Rocha.
Iniciar sessão
Copyright © 2009 - 2010 Academia de Talentos - Todos os direitos reservados










Comentários
Submeter um novo comentário