Odivelas Futebol Clube 0 - 2 Sporting Clube de Portugal
Odivelas Futebol Clube 0 - 2 Sporting Clube de Portugal.
Campeonato Nacional de Juniores B - 3ª jornada.
Hora: 11:00.
Local: Campo Complexo Desportivo de Odivelas.
ODIVELAS FUTEBOL CLUBE: 1-João Pereira; 2-João Amorim (16-Paulo Matias 59'), 3-Diogo Lemos, 4-Jorge Lopes e 5-Rui Jacob (13-Hugo Laranjeira 59'); 6-Francisco Gomes, 9-Luís Mota 8-Ricardo Veloso e 10-Mauro Carvalho; 7-Pedro Dias (19-Manu Nascimento 51') e 11-João André.
Suplentes não utilizados: 12-Nuno Alves, 14-Sheevan Dincar, 15-Rúben Martinho e 18-Rúben Costa.
Treinador: Mário Fonseca
SPORTING CLUBE DE PORTUGAL: 1-João Figueiredo; 2-André Oliveira, 3-Miguel Serôdio, 4-Josué de Sá (17-André Cardoso 71') e 5-Rui Coentrão; 6-Tiago Feiteira (18-Alexis Quintulén 40'), 8-Daniel Pereira e 10-Mauro Antunes; 7-William Carvalho, 11-Nathan Bordignon e 9-Matheus Coelho (14- Ignacio Ameli "Nacho" 57').
Suplentes não utilizados: 12-João Santos, 13-Leandro Albano, 15-Ariclene e 16-Tiago Cerveira.
Treinador: Luís Dias.
Árbitro: Rui Rodrigues (Conselho de Arbitragem de Lisboa).
Árbitros Assistentes: Marco Pires e Pedro Ferreira.
Disciplina: cartão amarelo a Diogo Lemos (43'), Mauro Carvalho (57') e João Figueiredo (77').
Golos: 0-1, por Miguel Serôdio (51'); 0-2, por André Oliveira (73').
Melhor em campo: Mauro Antunes.
Crónica:
No campo sintético do Complexo Desportivo de Odivelas, as duas equipas defrontaram-se num jogo muito físico e, geralmente, repartido. A equipa da casa não se atemorizou com o nome do adversário e jogou o "jogo pelo jogo" , com grande ousadia táctica, ficando a sensação de que a diferença mínima fosse mais justa, a fim de premiar este esforço. Ambas as equipas vinham de moralizadoras vitórias. O Sporting batera, em casa, o União de Leiria por 3-0 e o Odivelas fora a casa do Centro Atlético e Cultural da Pontinha vencer pelo mesmo resultado.
Apesar das condições para a prática desportiva serem de louvar, o mesmo não se pode dizer das bancadas. Uma improvisada bancada estava "apinhada" por cerca de 150 espectadores que tinham, à sua frente, uma vedação, que torna algo complicado o acompanhamento do jogo. No entanto, o público revelou-se entusiasmado com o bom espectáculo, vibrando e aplaudindo as duas equipas.
O Odivelas alinhou num sistema táctico muito exigente, que assentava num 4-4-2. Porém, em fase ofensiva, os jovens desenvolviam-se ora para um 4-3-3, ora para um arriscado 4-2-4. Em fase defensiva, Ricardo Veloso e João André formavam o par de atacantes, juntando-se a eles Luís Mota quando a equipa saía com a bola controlada. Nesta altura, Ricardo Veloso descaía para a direita. Porém, quando a bola circulava rápida por alguma das alas, ainda se juntava a João André, no centro do ataque, Mauro Carvalho.
Os visitantes tiveram algumas dificuldades em se adaptar ao terreno de jogo, certamente curto para explanarem o seu jogo. O Sporting apostava assim num meio campo forte e num tridente ofensivo móvel. Sem nenhum extremo-direito de raiz, William Carvalho ocupou essa posição, embora com pouco brilhantismo. No lado oposto jogou Nathan Bordignon, com a missão de servir o ponta-de-lança, Matheus Coelho. Especialmente na primeira parte, a transição defesa-ataque da equipa de Alvalade revelou-se lenta, geralmente bem acompanhada pelo sector intermediário do Odivelas, onde Francisco Gomes teve um papel de destaque. Algo a corrigir para o próximo encontro com os eternos rivais do Benfica.
Batalha no centro do terreno
No inicio do encontro era bastante visível a diferença física das duas equipas. A maioria dos jogadores de "verde-e-branco" eram bem mais altos que os da equipa da casa. Todos os lances disputados no ar eram ganhos pelos visitantes, assim como todos os lances mas físicos em que os jogadores tinham que usar o corpo na disputa de bola. Mas isso não significou um maior poderio do Sporting. O Odivelas jogava de forma inteligente, ocupando bem os espaços a meio-campo.
O Sporting não acertava na transição defesa-ataque. O conjunto de Alvalade revelou-se inadaptado ao campo, que era mal preenchido pelos seus jogadores, muitas vezes pisando os mesmos terrenos que outros colegas, ou fazendo lançamentos que invariavelmente saíam pela linha lateral. Os jogadores da casa revelavam-se ligeiramente mais rápidos e mais organizados em campo, tendo sido estes a criar a primeira jogada de perigo do encontro. Numa bela jogada, Ricardo Veloso consegue passar pelo seu marcador directo e centra rasteiro para a entrada da área. João André abre as pernas, deixando a bola passar para trás de si, onde aparece Mauro Carvalho a aplicar um potente remate para a esquerda de João Figueiredo, que realizou uma grande defesa.
Foi preciso esperar até ao décimo primeiro minuto para que o Sporting se aproximasse da área adversária com algum perigo. Após uma boa jogada de envolvimento, Mauro Antunes conseguiu ganhar a linha de fundo a Rui Jacob, centrou para Matheus Coelho que, ao tentar chegar à bola chocou violentamente com João Pereira, que ficou bastante combalido, necessitando de assistência médica. Felizmente, nada de grave se passou, tendo o jogo sido retomado passados dois minutos.
Passados cinco minutos, os adeptos do Sporting gritaram golo, ainda que em vão. Mauro Antunes novamente na jogada, recuperou a bola junto ao centro do terreno e entregou a Nathan Bordignon. Este efectua uma passe para Matheus Coelho que finaliza positivamente. Porém, a bandeirola do assistente estava levantada devido ao fora-de-jogo do número 9 sportinguista.
A luta a meio campo intensificava-se. Os jogadores do Odivelas apostavam na colocação e na procura e preenchimento de espaços vazios, enquanto o Sporting tentava impor a sua vantagem física, procurando, sempre dentro dos limites, os lances divididos e os lançamentos rápidos para o ataque.
A partir dos 25 minutos, os jovens orientados por Luís Dias começaram a acertar com as posições em campo e ganharam ligeiro ascendente no encontro. Porém, foi a altura de João Pereira se destacar, efectuando boas defesas ao cabeceamento de Matheus Coelho respondendo a um canto (31') e a um remate cruzado do mesmo jogador, cinco minutos mais tarde.
Por esta altura, o Odivelas revelava alguma fatiga. Ricardo Veloso e Luís Mota revelavam vontade de sair a jogar, mas faltou-lhes apoio dos dois defesas-laterais, que estava demasiado presos em tarefas defensivas.

Vitória táctica
A segunda parte começou como uma substituição da equipa leonina. Alexis entrou para o lugar de Tiago Feiteira. O recém-entrado ala foi para a esquerda, enquanto Nathan Bordignon passou para o centro e Matheus Coelho para a direita do ataque. Por sua vez, William Carvalho regressou à sua posição natural como médio centro.
Esta alteração acabou por se revelar de extrema importância, porque o número 7 encheu e organizou o sector intermediário da sua equipa como todo o seu poderio e disponibilidade física.
A substituição começou a dar frutos desde o primeiro minuto, quando William lança Alexis nas costas da defensiva do Odivelas, para um remate forte, mas sem direcção do número 18. Dois minutos depois, o mesmo Alexis tentou sair num contra-ataque rápido, tendo sido puxado por Diogo Lemos, ex-Benfica, que acabou por ver amarelo. Ao minuto 46, Nathan Bordignon descaiu para a direita do ataque e centrou para a área. O cruzamento saiu demasiado bombeado, tendo o cabeceamento de Matheus Coelho saído fraco e "à figura".
O Odivelas foi apanhado de surpresa pelas alterações tácticas dos visitantes e os jogadores desposicionaram-se demasiado facilmente. A equipa revelava alguma ansiedade por não estar a acompanhar as jogadas do Sporting como havia feito na primeira parte. Porém, no sector defensivo tudo continuava organizado, sempre como dois jogadores a saírem à bola, fechando, como possível, os caminhos para a sua baliza.
Ao minuto 51, o treinador do Odivelas efectuou uma substituição quando a sua equipa se preparava para defender um livre perigoso para a sua baliza. O livre era ligeiramente descaído para a esquerda da área e demasiado longe para ser batido, porém, iria sair dos pés de Mauro Antunes um centro perigoso. Foi batido com efeito em direcção à baliza mas "pingando" para a zona de penalty, onde surgiu Miguel Serôdio, sem qualquer tipo de oposição, a desviar para o primeiro golo do encontro.
Os jogadores da casa reagiram bem e tentaram de imediato assumir as rédeas do jogo, procurando a igualdade. Ao minuto 56, Luís Mota ganhou a bola no meio campo e partiu rapidamente para o ataque. Driblou um adversário e foi travado em falta. Do livre saiu um centro perigosíssimo para a baliza do Sporting, mas a intervenção de Miguel Serôdio não permitiu que Luís Mota desviasse para as redes leoninas.
Três minutos mais tarde, o Odivelas efectuou uma grande alteração táctica. Entraram Paulo Matias e Hugo Laranjeira para o lugar de João Amorim e Rui Jacob. Os odivelenses jogavam agora num 3-5-2, com Jorge Lopes, Hugo Laranjeira e Diogo Lemos na defesa, Luís Mota e Ricardo Veloso a ocuparem as alas completas e Manu Nascimento e João André na frente do ataque. A equipa quebrou fisicamente e já não estava com a disponibilidade suficiente para executar bem a nova táctica. Os dois alas revelavam muito desgaste físico e o sector intermediário já não tinha discernimento para fazer as transições defensivas.
A sete minutos do final, Daniel Pereira desmarcou-se facilmente, tendo a defesa do Odivelas ficado a pedir fora-de-jogo. Frente ao guarda-redes, Daniel entregou a André Oliveira que só teve que encostar, para o 0-2. Passados quatro minutos, o Odivelas teve a melhor hipótese do encontro. Num lançamento longo de Diogo Lemos, Manu Nascimento conseguiu fugir a defensiva leonina. Apenas com o guarda-redes pela frente, desviou a bola para a sua esquerda e sofreu falta de João Figueiredo. Penalty e amarelo para o guardião. Mauro Carvalho foi chamado a converter, mas rematou muito por cima, falhando a baliza. Desta forma, o Odivelas falhou uma grande oportunidade de um golo que seria merecido por tudo o que a equipa jogou durante todo o encontro.
Num jogo repartido, a vantagem física do Sporting revelou-se fundamental, tendo causado grande desgaste ao adversário, que se bateu bem e que deixou indicações de ter uma boa equipa capaz de se bater com qualquer adversário.
Análise Individual (Sporting Clube de Portugal):
João Figueiredo - Esteve bem quando o Odivelas estava por cima no jogo. Porém, aquando do penalty, saiu-se mal à bola, tendo tentando lá chegar com o pé e não com as mãos.
André Oliveira - Marcou um golo coroando uma exibição esforçada. Luís Mota deu-lhe muito trabalho durante todo o encontro.
Miguel Serôdio - Grande desmarcação para marcar o golo de cabeça. Resolveu, com uma grande simplicidade de processos, quase todas as dificuldades que o ataque adversário lhes colocou.
Josué de Sá - Demasiado discreto a defender. Nem sempre bem a dobrar os laterais.
André Cardoso - Entrou a dez minutos do final do encontro. Foi batido na jogada que deu penalty ao Odivelas.
Rui Coentrão - Esteve bem a defender, mas nem sempre a atacar.
Tiago Feiteira - Muito discreto no centro do terreno. Não se adaptou às condições do campo.
Alexis Quintulén - A sua entrada mudou o jogo. Muito disponível e dinâmico na ala esquerda.
Daniel Pereira - Bem a preencher os espaços e a realizar as transições.
Mauro Antunes - Fez o Sporting jogar. O melhor do encontro, especialmente devido à sua qualidade de passe e de posse de bola. Foi crucial nos equilíbrios da sua equipa.
William Carvalho - Perdido na primeira parte por estar fora da sua posição. O seu rendimento subiu muito quando regressou ao meio-campo, arrancando para uma boa exibição.
Nathan Bordignon - Exibição segura. Joga bem com a bola nos pés, mas nem sempre está no melhor local para receber a bola.
Matheus Coelho - Exibição muito esforçada e equilibrada. O mais perigoso do ataque leonino.
Ignacio Ameli - A sua entrada em nada alterou o jogo. Procurou espaços mas nem sempre foi bem servido.
Declarações:
Luís Dias (treinador do Sporting):
"Jogar aqui é sempre complicado, não só pela qualidade do adversário, como também pelas características do campo, que causa muitas dificuldades ao nosso modelo de jogo."
"Tivemos dificuldade em adaptar-nos ao jogo. O Odivelas pressionou bastante. Seria justo terem marcado um golo neste jogo. De qualquer forma, estivemos por cima, especialmente na segunda parte, que nos correu muito bem. Foi um jogo competitivo."
"Hoje não tínhamos nenhum extremo-direito e optámos por colocar um médio centro nessas funções. Primeiro o William, depois foi o Matheus e terminámos com o Mauro nessa posição. Não tem mal nenhum. É importante para eles crescerem."
Daniel Pereira (jogador do Sporting):
"Foi um jogo bem disputado pelas duas equipas. Tentámos circular a bola, mas o campo não deixava circular como queríamos. Entrámos bem na segunda parte e o Odivelas não teve o nosso ritmo."
"Penso que realizei uma boa exibição. Dei o que tinha e tentei por a equipa a circular, mas tive que lançar a bola mais do que desejava."
Texto: Luís Santos Silva.
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