Ruca (Futebol Clube do Porto)
O nome Rui Pedro Correia Nunes diz-lhe algo? Bem me quis parecer. E de um "tal de Ruca", já ouviu falar? Pois bem. É guarda-redes, joga no F.C. Porto e o seu talento entre os postes tem sido comprovado com as constantes chamadas às selecções nacionais mais jovens. Jesualdo Ferreira, treinador do F.C. Porto, conhece-o bem e já o chamou por diversas vezes para treinar com o plantel principal. A sua idade? 18 anos...
Vamos por partes. Rui Pedro Correia Nunes é Ruca desde bem cedo. O diminutivo pegou e promete perdurar para sempre. Foi o próprio pai do jovem guardião que confessou ao Academia de Talentos (ADT) como e porquê a "alcunha": "Ruca é um nome que os amigos da escola lhe puseram e que nós cá em casa também começámos a chamar. Depois, no futebol, também começou a ser conhecido dessa forma. Pegou (risos). É um diminutivo carinhoso da família e dos amigos mais próximos", revela Jorge Manuel Nunes.
De médio a guarda-redes
Aos 18 anos, Ruca já pode gabar-se de poder dizer que é um jovem jogador experiente. Isto porque a sua carreira começou a ser construída bem cedo. Curioso é que o actual guarda-redes do F.C. Porto, para muitos um dos melhores da sua geração, iniciou-se no futebol como jogador de campo. A aventura começou na ala direita do meio-campo e os primeiros passos foram dados no Grupo Desportivo Tourizense, um clube da aldeia de Touriz que pertence à Associação de Futebol de Coimbra. Só depois, após um bom par de defesas na praia, Ruca se convenceu de que poderia ser o número um.
"Ele começou a jogar nas escolinhas do Tourizense. Ainda não tinha idade para ser federado, mas já estava a jogar com os mais velhos. O curioso é que começou por ser jogador de campo. Na primeira época era médio-direito, só a partir da segunda temporada é que passou a ser guarda-redes", começa por dizer o pai de Ruca, explicando, depois, como é que se deu essa passagem: "Tudo aconteceu na praia. O Ruca estava lá com um amigo que, depois de o ver fazer algumas defesas muito boas, disse que ele tinha muito jeito e que devia era treinar para ser guarda-redes". Dito e feito. A segunda época de Ruca no Tourizense já foi feita entre os postes.
O ingresso no F.C. Porto
A precoce carreira de Ruca continuou a ser construída no clube do Touriz até ao último ano de infantis, altura em que Boavista, Sporting e F.C. Porto entraram na corrida. Acabou por ingressar no seu clube do coração e desde que é iniciado que representa dos dragões. "Ele esteve no Tourizense até ser iniciado. Fez lá as escolinhas e o escalão de infantil. Na altura já era chamado para a selecção distrital (da Associação de Futebol de Coimbra) de sub-12 e sub-13. Foi visto por olheiros e, quando ainda era infantil, chegou a ir prestar provas ao Boavista e ao Sporting. Mas acabou por ficar no F.C. Porto, que se mostrou sempre muito interessado. Fez dois treinos e no segundo dia quiseram logo ficar com ele", conta o encarregado de educação do guardião dos dragões.
Quando questionado sobre a paixão do filho pelo F.C. Porto, Jorge Manuel Nunes não hesita. "É o único da família que é portista desde pequenino. É um portista ferrenho. Eu sou sportinguista", responde.
A inevitável chamada à selecção e a paixão total ao F.C. Porto
De dragão ao peito, Ruca começou a conquistar títulos e, mais que isso, a assumir-se como um elemento preponderante na equipa. Escalão após escalão, o jovem guarda-redes foi mostrando qualidades que lhe valeram inclusive a confiança dos seleccionadores nacionais. "Logo no primeiro ano de F.C. Porto foi campeão nacional de iniciados (sub-15). Depois participou, por exemplo, no Torneio Inter-associações Lopes da Silva pela Associação de Futebol do Porto. A primeira internacionalização aconteceu com os sub-16, quando ele estava nos sub-17 do F.C. Porto. A partir daí tem sido internacional sub-17, 18 e 19. No F.C. Porto tem evoluído bastante, tendo já sido chamado algumas vezes para treinar com os seniores. No primeiro ano de júnior (sub-18) foi para a Holanda fazer pré-época com os seniores e este ano, que está nos sub-19, também vai de vez em quando treinar com os seniores", conta o pai do jovem guarda-redes.
A família Nunes vive em Tábua, uma vila do distrito de Coimbra que fica aproximadamente a 170 quilómetros da Cidade Invicta. Por isso mesmo, Ruca nem sempre consegue estar com os pais, mas há sempre um tempinho para matar as saudades. "Desde que ele foi para o F.C. Porto que está a viver no Lar do Dragão. Mas como a minha actividade faz com que tenha de ir muitas vezes ao Norte do país consigo fazer com que o Ruca quase todos os tempos que tem livres esteja connosco. Vem praticamente todas as semanas passar um dia connosco e depois eu levo-o de regresso", refere Jorge Manuel Nunes.
Apesar de existirem clubes interessados, Ruca está de pedra e cal no Estádio do Dragão. De acordo com o pai do guardião português, até o Benfica já mostrou interesse em "roubar" a jovem pérola da baliza do F.C. Porto, mas nada feito: "Ele sente-se tão bem no F.C. Porto que neste período de férias teve algumas abordagens para ir para outros clubes mas recusou-as. Neste momento tem contrato de formação, depois logo se vê como as coisas correm. O interesse mais significativo veio da parte do Benfica, que fez algumas abordagens. Mas ele tem um agente que trata desses assuntos."
O "problema" da escola
No que diz respeito aos estudos, Jorge Manuel Nunes reconhece que não é fácil conciliar o futebol com a escola, sobretudo quando Ruca é internacional português e por vezes chamado a trabalhar com o plantel sénior. "Até ao nono ano, até aos sub-16 mais ou menos, ele foi um aluno normal, mas as coisas ficaram mais complicadas quando começaram as selecções. Depois, sempre que vai treinar com a equipa principal também fica impossibilitado de fazer as duas coisas. O Ruca completou o décimo ano no ano passado, mas demorou três anos para o fazer. O F.C. Porto pô-lo num colégio particular e isso ajudou-o muito a passar de ano. Eles (clube) estão a trabalhar bem para ajudar os jogadores a tentarem conciliar as duas coisas", admite.
Ainda assim, o pai do internacional português adianta que o filho já tem alguns planos traçados para o futuro, isto apesar de frisar que "neste momento é muito complicado para ele encarar alguma coisa que não o futebol". Jorge Manuel Nunes revela, no entanto, quais os planos do filho a curto/médio prazo: "Ele agora quer fazer um curso de gestão desportiva que vai dar equivalência ao 12º ano. Depois, por ter a facilidade de ser atleta de alta competição, poderá ter entrada para a universidade. Logo se vê como as coisas se vão desenvolver."
O ídolo "natural" Vítor Baía
Vítor Baía dispensa apresentações. Foi sem qualquer dúvida um dos melhores guarda-redes portugueses de sempre. Não é por acaso que é o sexto futebolista nacional com mais internacionalizações (80). Formado no F.C. Porto - passou entretanto pelos espanhóis do Barcelona mas regressou ao dragão para terminar a carreira - Vítor Baía tornou-se numa verdadeira lenda do clube, sendo actualmente director das relações externas dos dragões. Conquistou títulos atrás de títulos e, como seria de esperar, passou a ser uma referência para os jovens jogadores portistas e, claro, portugueses. Ruca, como explica o seu pai, não fugiu à regra. "Penso que o ídolo do Ruca será o Vítor Baía. Ele cresceu a vê-lo jogar. Sempre que falou com ele deu-lhe motivação, mas o Ruca é muito recatado no que diz respeito a falar sobre as coisas que se passam no balneário. Geralmente diz sempre que está tudo bem. Não gosta de passar cá para fora as coisas que se passam no balneário".
E qual será o "feedback" que Jorge Manuel Nunes tem recebido sobre a prestação do filho aos longo dos anos? "Tive sempre no final da época indicações de que o Ruca tinha feito uma boa temporada e que por isso continuava no clube. Mas não gosto de intrometer-me no trabalho dos treinadores porque respeito o que fazem. Eles é que sabem o trabalho que ele faz", diz o pai do guardião dos juniores do F.C. Porto.
Personalidade forte e joga bem com os pés
O ADT quis saber um pouco mais sobre Ruca. Afinal quem é o guarda-redes do F.C. Porto e quais as suas principais características? "É uma pessoa que tem uma personalidade muito forte e que sabe bem o que quer. Quando sabe que tem uma coisa para fazer vai com as suas opções até ao fim. Como jogador, e apesar de ser seu pai, julgo que é um guarda-redes acima da média. É muito bom a jogar com os pés, talvez pelo facto de ter começado por ser jogador de campo, e é muito sereno entre os postes", revela Jorge Manuel Nunes.
O homem dos penalties
Para finalizar, o pai de Ruca chama a atenção para uma curiosidade sobre o filho. Curiosidade ou, se quisermos, especialidade. "Desde os tempos do Tourizense que ele é conhecido por defender muitos penalties. Nos iniciados, se bem me recordo, defendeu três num só jogo contra o Sporting" (NDR: Foi no Torneio de Gaia em 2004), conclui.
Nome: Rui Pedro Correia Nunes.
Clube: Futebol Clube do Porto.
Posição: Guarda-redes.
Data de nascimento: 07-01-1990 (18 anos).
Nacionalidade: Portuguesa.
Altura: 1,85 metros.
Peso: 83 kg.
Texto: Frederico Gerardo.
Imagem: Academia de Talentos.
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Comentários
eu gostava muito de entrar
eu gostava muito de entrar para as escolas do porto, porque eu vou ser do porto ate morrer...ser guarda redes do porto e um sonho ... po favor dizei alguma coisa...
pois.2008@live.com.pt
so uma oportunidade
Creio que foi dispensado,
Creio que foi dispensado, está agora no Maritimo..
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