Rui Silva (Sport Lisboa e Benfica)
Em todas as equipas, existem diferentes tipos de jogadores. Há aqueles que jogam sobretudo para a equipa, em passes curtos, e primando pela distribuição de jogo a meio-campo. E, depois, há os desestabilizadores, que com dribles rápidos conseguem romper a defesa e servir os colegas para golo, isto quando não facturam eles próprios.Rui Silva faz parte desta última categoria. O extremo benfiquista, considerado um dos mais talentosos jogadores
Em todas as equipas, existem diferentes tipos de jogadores. Há aqueles que jogam sobretudo para a equipa, em passes curtos, e primando pela distribuição de jogo a meio-campo. E, depois, há os desestabilizadores, que com dribles rápidos conseguem romper a defesa e servir os colegas para golo, isto quando não facturam eles próprios.
Rui Silva faz parte desta última categoria. O extremo benfiquista, considerado um dos mais talentosos jogadores a militar no Seixal, tem atraído atenções pelo seu misto de tecnicismo, velocidade e raça. Recentemente, o jovem foi ainda convocado para os trabalhos da selecção nacional do seu escalão, sub-16. Para saber mais sobre a carreira deste jovem valor, falámos com o pai, com quem Rui Silva partilha o nome.
Uma questão...de idade
Rui Pedro Oliveira Silva nasceu há 15 anos, a 11 de Janeiro, na pequena localidade de Cerveira. Foi no clube local que se começou por mostrar, e já então se notava algo "extra", como nos conta o seu progenitor. "Ele começou a jogar muito novo, e toda a gente achava que ele era diferente dos outros a jogar futebol. Vimos que ele era diferente, que desequilibrava os dois lados", explica Rui Silva.
Nessa altura, Rui era médio-ofensivo, mas mostrava já uma tendência "para encostar às linhas, fazer aqueles ‘picos', entrar para a área e fazer golo", segundo explica Rui Silva, sénior. Por isso mesmo, o jovem começou a ser utilizado como extremo. No entanto, o pai considera que "naquela parte da frente, ele faz as posições quase todas. Pode jogar pelos dois lados, ou pelo meio, que faz muito bem. Mas a posição dele era médio-atacante, que é a posição que ele gosta", conclui.
Naturalmente, este talento e técnica naturais rapidamente atraíram a atenção dos chamados "grandes" do futebol nacional. "Ele começou a ser cobiçado por Sporting, Porto e Benfica. Pelo facto de o Benfica mandar um fax para o Cerveira, ficámos a saber do interesse deles", conta. "Mas depois o Sporting também se pôs no caminho, também o queria", recorda.
Aliás, Rui esteve, como se costuma dizer, com "um pé" no Sporting. O pai do jogador conta-nos como se deu a viragem súbita dos acontecimentos. "Ele só não foi para o Sporting porque só tinha onze anos, e o Sporting estava interessado a partir dos doze", explica Rui Silva. "Ele ficava cá a treinar no Cerveira, e ia jogar ao Sporting. Assim, não quis. Como o Benfica o queria logo, ele foi logo. No ano seguinte, foi para o Benfica". O facto de Rui (filho) ser benfiquista também auxiliou nesta escolha, conforme corrobora o pai. Mas, no fundo, tudo se resumiu às condições apresentadas. "As condições, no Sporting, eram que ele ficava a treinar no Cerveira, e ia jogar, no fim-de-semana, a Lisboa. Não dava para fazer tantas viagens, e portanto, optou pelo Benfica. E acho que optou bem", refere Rui Silva sénior.
Quanto ao Porto, acabou por ficar prematuramente pelo caminho. "O Porto interessou-se, mas quando eu o ia levar ao Porto, ele praticamente disse-me que não queria ir, porque não gostava. Então eu falei com o Sr. Craveiro, que foi quem falou comigo, e disse-lhe que não valia a pena levar o miúdo contra a vontade, porque ele não ia. Um dia mais tarde, logo se veria, mas de momento ele não queria ir", relembra o pai do jogador.
Percurso "fantástico!"
E assim Rui Silva ingressou no seu clube do coração. Nessa altura, ainda o centro de estágio não estava construído, e Rui foi morar "para os Pupilos, para o centro de estágio velho, no Alto dos Moinhos". Nessa altura, "nem doze anos tinha ainda". Mas, assim que o Caixa Futebol Campus ficou concluído, o jovem mudou-se de armas e bagagens para o Seixal. Neste momento, Rui é residente do centro de estágio benfiquista no Seixal.
No que toca ao seu percurso dentro do clube que escolheu, o pai do jogador considera que "as épocas têm-lhe corrido muito bem. A primeira, então, foi fantástica!", enfatiza. E prontamente desfia a lista de títulos ganhos pelo filho até hoje. "Foi campeão de Infantis no Benfica, campeão de Infantis no Cerveira, ganhou o Torneio José Mourinho, na Pontinha, ganhou o Torneio Lopes da Silva...ele fartou-se de ganhar torneios! (risos) Todos os torneios onde entrava o Benfica, ele ganhava-os", refere Rui Silva. "Ganhou outros aqui no Norte, em Esposende, nas Marinhas, aí para baixo ganhou mais um ou dois, como o de Frielas, que o Oceano Cruz patrocinou...Enfim, está-lhe tudo a correr bem, graças a Deus!", conclui. No entanto, da panóplia de torneios ganhos pelo filho, há dois que Rui Silva destaca como "os mais importantes": o Torneio Lopes da Silva, que Rui ganhou pela AF Lisboa, há dois anos, e o Torneio da Pontinha.
Na sequência das boas referências deixadas nesses torneios, o jovem foi também, pela primeira vez, chamado às camadas nacionais, no ano passado. Rui Silva representou nessa instância a selecção sub-15, primeiro passo internacional para os jovens jogadores. Agora, o extremo transita com naturalidade para os sub-16, sendo que as suas exibições no clube que representa continuam a pautar-se por um nível acima da média.

Um jogador de impacto
Rui Silva - pai - mostra também reconhecer perfeitamente o segredo para o sucesso, seja no desporto ou noutra área qualquer. "Tem que trabalhar!", frisa. "Nada vem sem trabalho, e é isso que ele tem que fazer! Nada cai do céu, e ele tem de trabalhar e ser humilde", enfatiza. "Tem que seguir o que sabe fazer, ouvir o que dizem os treinadores, e depois logo se vê! Está nas mãos de Deus!", conclui.
Nesta óptica, o pai do jogador refere que o mesmo até já fez campeonatos...lesionado. Foi o caso no ano passado, quando Rui se debatia com "uma lesãozita, que andou a curar, e que podia ser grave. Ele quase teve uma pubalgia, e esteve a jogar e a curá-la...mas mesmo assim correu bem", considera o nosso entrevistado.
Rui Silva considera também que, apesar de o filho vir sendo utilizado sobretudo como extremo, deve ganhar, o mais possível, rotina noutras posições. "Eles estão a aprender, têm que saber jogar em qualquer posição!", frisa. "Não é habituarem-se só a um sítio! Assim, quando for preciso jogar noutro, eles estão adaptados", diz.
Ainda assim, é inegável que é na posição de extremo que Rui Silva pode explanar ao máximo os seus vastos predicados técnicos. O nosso entrevistado concorda. "Tem uma boa visão de jogo, dribla muito bem, no um-para-um é quase imbatível!", refere, acerca das principais qualidades do jogo do filho. E acrescenta que "quem vê os jogos dele, fica quase de boca aberta!" Como que para corroborar esta sua última afirmação, Rui Silva dá um exemplo concreto: "quando foi campeão de Infantis contra o Sporting - e era o Sporting, não era qualquer equipa - ele tem lá uma jogada em que finta quase seis jogadores!", refere.
Mas não é este o único momento de glória do filho. Segundo Rui Silva pai, Rui Silva filho "tem outros pormenores, marcou um golo...e no Cerveira também fazia muitas coisas bonitas. Marcava cantos directos que toda a gente ficava de boca aberta, e não foi só um, fartou-se de marcar golos de canto directo! Fintava três ou quatro, chegava ao guarda-redes e fazia-lhe um chapéu, etc...", diz o progenitor do jogador.
Mas nem tudo é perfeito em Rui Silva. Segundo o seu pai, o jogador tem uma grande pecha: "não gostar de defender". "Ele avança e não recua lá muito. É um ponto que tem mais fraco, e que está a aprender. Tem que trabalhar isso, ir lá a frente mas depois também vir atrás ajudar. O ponto fraco dele será esse, e já me apercebo de que o estão a trabalhar. E acho bem, não é só atacar, tem que se defender também!", conclui.
Em boas mãos
No que toca ao clube onde Rui milita, o Benfica, o pai do jogador tem também uma opinião muito positiva. "Tem boas condições no centro de estágio", refere "São muito boas, óptimas até! Tem lá todas as condições para trabalhar e para se fazerem homens. Jogadores e homens! O Benfica, neste momento, está ao nível do Sporting ou superior!", declara.
No que toca aos treinadores, estes também "são bons, ajudam muito, a ele e aos outros miúdos que não são de lá, que são do Norte ou assim. A esses tem que se dar mais apoio, e eles sempre deram, tanto treinadores como direcção", refere, acrescentando que sem esse apoio, seria difícil a "um rapaz de Cerveira" adaptar-se à vida longe de casa. "Ia-se abaixo!", considera, e acrescenta que "nesse aspecto, o Benfica está a trabalhar muito bem. Gostam muito dele, dão-lhe muito apoio, ajudam-no muito, no que for preciso". E refere o exemplo de Bastos Lopes, que apoiava o jovem Rui quando este, no seu ano de Infantil, "chorava" por saudades da família.
Para além de Bastos Lopes, seu treinador durante dois anos, Rui Silva trabalhou com Bruno Lage, "outro treinador de quem ele gostou muito, muito táctico, e com quem aprendeu muito", e encontra-se actualmente ao comando de João Couto (NDR: e Alexandre Silva), no escalão de Juvenis.
Durante estes quatro anos, Rui também já fez alguns amigos no clube encarnado, dos quais o pai destaca Miguel Herlein, seu colega de escalão, equipa e, em tempos, de Selecção. "Ele gosta muito de todos, é muito sociável, dá-se bem com toda a gente. Isso é que é bom, tem de se dar bem com todos", começa por referir. No entanto, rapidamente particulariza. "Ele tem lá o Miguel Herlein, gosta muito dele. Na primeira época, foram eles os melhores marcadores do Benfica. Esse é um grande amigo dele, mas os outros também são, não é só o Miguel", frisa. "Mas lembrei-me do Miguel porque é um menino de quem ele gosta muito. No primeiro ano, foi a primeira amizade dele... Mas também se dá bem com o Bruno [Gaspar], com o Grilo...dá-se bem com todos!", conclui o nosso interlocutor. No fundo, o pai de Rui Silva considera que, no Benfica, este está em boas mãos...
Um rapaz caseiro
Fora dos campos, e nas vezes em que está em casa, Rui Silva assume-se como um rapaz bastante caseiro. "Quando não tem treinos nem escola, gosta de dar umas voltinhas por aí, e quando vamos vê-lo, ele gosta de estar connosco, para matar saudades", diz o pai do jogador.
O percurso académico do jovem também vai, segundo o seu progenitor, "bem", tendo em conta "o trabalho que ele tem, de treinos e escola, de fazer os trabalhos..." O encarregado de educação refere ainda que, nas classificações que lhe são enviadas para casa, "falam muito bem dele". "Não é um excelente estudante, mas é bom. Associa bem a escola com os treinos e jogos, e tem tempo para tudo", conclui o nosso interlocutor.
No fundo, este fã de Cristiano Ronaldo e do Manchester United assume-se como um jogador muito promissor e completo, com possibilidades de talvez, um dia, chegar à equipa sénior do Benfica, com a combinação certa de trabalho e sorte. Como diz o pai, se a sua carreira resultar, seria "ouro sobre azul". Certo é que a capacidade técnica está lá - mesmo nas férias, sentado na areia da praia, Rui Silva "consegue dar 150 toques com a bola" e fazer outros truques. Providencial, agora, é que haja a "estrelinha" que, por vezes, sorri aos jogadores.
Nome: Rui Pedro Oliveira Silva.
Data de nascimento: 11/01/1993 (15 anos).
Altura: 1,72m.
Peso: 54kg.
Posição: Extremo-esquerdo/extremo-direito.
Clube: Sport Lisboa e Benfica.
Texto: Pedro Benoliel.
Imagens: Academia de Talentos.
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