Vinícius Silva (Sport Lisboa Benfica)

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Sáb, 30.08.2008

Do Brasil saem anualmente centenas, mesmo milhares, de jogadores com potencial. Num país onde o futebol é simultaneamente o passatempo nacional e o principal meio de escapar à pobreza, é natural que os jovens se virem para a prática desta modalidade. Junte-se a isso o "gingado" natural dos brasileiros e o fantasismo que caracteriza o jogo naquele país, e estão reunidas as condições para o aparecimento de "craques" tecnicamente muito acima da mediania.

No entanto, por uma razão ou por outra, grande parte destes jogadores acaba por "ficar pelo caminho". Seja pela sobrelotação de talentos no país ou pela falta de condições, a verdade é que apenas uma ínfima parte dos talentos brasileiros "dá o salto" para a Europa.

Por isso mesmo, Vinícius Silva já se pode considerar um jovem de sorte. Aos 16 anos, o defesa brasileiro chega a um dos clubes portugueses de maior expressão, o Sport Lisboa e Benfica, com o propósito de alinhar na equipa de Juvenis. A ADT foi conhecer aquele que é um dos mais sonantes reforços da equipa encarnada para os campeonatos jovens deste ano.

De uma baliza à outra

Vinícius Nascimento da Silva nasceu a 8 de Fevereiro de 1992, no interior do estado de São Paulo. Desde muito cedo se interessou pelo futebol, tendo começado "com oito, nove anos" nas escolinhas do Laranjeiras, um clube local. No entanto, não demorou muito até o jovem transitar para um clube maior: ainda nessa mesma época, ingressa na equipa "dente-de-leite" do Corinthians. Então, a posição que ocupava no terreno era radicalmente oposta à actual: era avançado. O brasileiro explica esta mudança de funções no terreno de jogo: "foi um técnico que conheci no Corinthians, o mesmo que me passou no teste para avançado. Como eu era o maior da equipa, ele passou-me para defesa". No entanto, a mudança que poderia ter sido traumática acabou por ser natural. "Adaptei-me muito rapidamente. Um bom jogador tem que saber jogar em qualquer posição!", afirma Vinícius Silva.

No Corinthians, o brasileiro passou sete anos, fazendo toda a sua formação. Depois do ano de escolinhas, não mais abandonou a posição de defesa-central, um posto que, aliás, escasseia no Brasil. Talvez por este motivo o jovem tinha sido naturalmente escalonado para a Selecção sub-15 brasileira, com a qual disputou o Campeonato Sul-Americano o ano passado.

No entanto, após ter completado 16 anos, não mais voltou a ser convocado. Não por uma qualquer falta de talento, mas porque, como explica, o sistema no Brasil é diferente. "No Brasil é só em Janeiro [o início do campeonato]. Os sub-17 só começam em Janeiro." Assim, o jogador, que chegou a treinar com os seniores no Corinthians, estará ansiosamente à espera da convocatória para o próximo escalão, com o qual já poderá participar em provas de maior monta, como o Mundial.

Europa!

Foi ao serviço da Selecção sub-15 que o jovem primeiro despertou a atenção das águias. O clube da Luz aborda então o Corinthians no sentido de uma possível contratação, a qual acaba mesmo por seguir em frente, mau-grado os esforços do técnico do "Timão". "Quando eu já estava quase a vir para o Benfica, o ‘mister' dos seniores já estava a querer ‘puxar-me' para os seniores." No entanto, o jovem preferiu mesmo empreender a viagem para Portugal, embora consciente de que jogaria num escalão muito inferior ao que representava no Brasil. "Preferi vir para o Benfica por causa da tradição, de ser um clube grande", explica o jogador.

Chegado a Portugal, o central passou pelo natural período de habituação a uma nova cultura e a um novo país. "O futebol aqui é muito rápido, e a marcação é muito boa", refere o jogador vindo do Brasil. "Mas a cada treino tenho apanhado coisas novas, aprendido com o ‘mister'", conclui. Também o facto de estar num clube com uma estrutura maior implicou alguma adaptação. No entanto, como refere Vinícius, "a estrutura do Benfica é muito boa. No Brasil a estrutura também é muito boa, mas em comparação, como na Europa, não há igual!", completa o jovem defesa.

De facto, Vinícius está a viver o sonho de qualquer jovem brasileiro - jogar na Europa. Pode ser que ainda não esteja num dos campeonatos de topo, mas o mais difícil já está feito, e "agora é só trabalhar!" Quanto a planos futuros, "continuar aqui em Portugal, e talvez ir para Inglaterra", outro dos países mais cobiçados por jovens jogadores. O clube de sonho também não é de todo invulgar: nada mais nada menos que o colosso Manchester United.

Chamado a nomear dois jovens talentosos, Vinícius também não hesita. "Do meu antigo clube, o Claudinho, avançado. É muito forte. Do Benfica, o Bakar, que é muito bom central, trabalha muito bem comigo. E o Ruben Pinto." Dos seniores, refere "o Fellipe Bastos e o Luisão, que são ambos meus amigos". Treinador? "O Felipão". Melhor do Mundo? Cristiano Ronaldo, claro. "É muito bom jogador. O Messi também é um belo jogador, mas agora é o Cristiano Ronaldo", refere Vinícius.

Em vantagem

No que toca a caracterizar-se como jogador, Vinícius é directo, esclarecido e objectivo. Uma lufada de ar fresco por comparação com as habituais evasivas e incertezas dos jovens jogadores. Palavras de Vinícius Silva, portanto: "como comecei a avançado, tenho muita tranquilidade para sair a jogar. Tenho alguma habilidade, um certo controlo de bola." Em termos de características a melhorar, "muita coisa. Preciso de trabalhar muito para chegar a sénior, porque é muito difícil".

Outra característica positiva do jogador é a sua versatilidade. "Na Selecção, já joguei como trinco e a defesa-esquerdo", diz Vinícius, acrescentando mais duas posições àquelas que já lhe conhecíamos. Para além disso, o metro e oitenta e os 76kg deste central fazem dele um adversário temível para tentar transpor.

Vinícius tem ainda a vantagem de, em termos de Brasil, ter pouca concorrência. A maioria dos jogadores que sai daquele país afirma-se como médio criativo ou avançado. Isto pode abrir espaço a que, no futuro, o jovem preencha uma das vagas da Selecção AA brasileira, ao lado do seu ídolo, o flamenguista Júan. Vinícius explica esta tendência brasileira para o ataque: "os jogadores brasileiros têm uma certa habilidade, um certo domínio de bola. Encontrar um defesa é muito difícil, ainda mais que jogue com o pé esquerdo". Mais uma vantagem, portanto, para o jovem brasileiro do Benfica, que "optou por ser central".

No entanto, a passagem para o Benfica também trouxe uma grande desvantagem: "a Selecção brasileira não sabe que eu vim para cá, jogar pelo Benfica. É muito difícil ser convocado jogando fora.". Aliás, o Corinthians também não sabe que Vinícius veio para Portugal, pensando que o jogador se limitou a "abalar". No entanto, este secretismo é um pequeno preço a pagar pela possibilidade de lançar uma carreira potencialmente muito interessante. Até porque em breve a situação estará oficializada, e Vinícius juntar-se-à novamente aos pais, que virão instalar-se em Portugal.

Falta de meios

Vinícius sabe, portanto, que tem talento e sorte suficientes para vingar na vida. No entanto, lamenta que muitos jovens de igual nível não consigam sair do Brasil devido à falta de condições. "Há muitos jogadores na periferia das cidades do Brasil que são muito bons, mas não têm oportunidades, devido à sua situação financeira". E relembra: "grandes jogadores como Ronaldo e Romário saíram das periferias! Ali há jogadores que jogam muito, têm qualidade".

Por fim, Vinícius deixa uma mensagem a todos os jovens que almejem chegar a uma situação como a sua: "os jogadores muito bons têm que trabalhar muito e ter muita cabeça, também. Muitos pensam que isto é fácil, mas não é, é uma vida muito difícil! Tem que se trabalhar muito", afirma.

Nome: Vinícius Nascimento da Silva.
Data de Nascimento: 08/02/1992 (16 anos).
Altura: 1,80m.
Peso: 76kg.
Posição: Defesa-central.
Clube: Sport Lisboa e Benfica.

Texto: Pedro Benoliel.
Imagem: Academia de Talentos.

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